O ex-policial militar Ronnie Lessa foi condenado na terça-feira (29) a 26 anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro. A sentença foi obtida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Força-Tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado para o caso Marielle Franco e Anderson Gomes (Gaeco/FTMA).
Além da pena, a Justiça determinou a perda de R$ 61.293 encontrados em espécie durante uma busca na residência de Lessa. A decisão também estabeleceu o confisco de uma lancha e de dois terrenos em Angra dos Reis. Um imóvel na Barra da Tijuca, avaliado em mais de R$ 800 mil, ficou fora da medida porque havia sido incluído no acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-PM.
Além da pena, a Justiça determinou a perda de R$ 61.293 encontrados em espécie durante uma busca na residência de Lessa. A decisão também estabeleceu o confisco de uma lancha e de dois terrenos em Angra dos Reis. Um imóvel na Barra da Tijuca, avaliado em mais de R$ 800 mil, ficou fora da medida porque havia sido incluído no acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-PM.
Contas de terceiros
Segundo a denúncia do MPRJ, Lessa teria utilizado contas bancárias do irmão e de um amigo para ocultar recursos de origem ilícita. Para a acusação, as movimentações não eram compatíveis com a renda líquida mensal do então servidor público, de aproximadamente R$ 7 mil.
Ainda conforme o órgão, o ex-PM colocou o nome do irmão na aquisição de um imóvel na Barra da Tijuca. A Justiça acolheu o entendimento da Força-Tarefa de que as contas de terceiros também serviram para movimentar recursos usados na compra do imóvel e de uma lancha.
A acusação aponta ainda que os depósitos envolviam valores obtidos por atividades ilícitas prestadas a terceiros e pela venda não autorizada de armas de fogo.
Ainda conforme o órgão, o ex-PM colocou o nome do irmão na aquisição de um imóvel na Barra da Tijuca. A Justiça acolheu o entendimento da Força-Tarefa de que as contas de terceiros também serviram para movimentar recursos usados na compra do imóvel e de uma lancha.
A acusação aponta ainda que os depósitos envolviam valores obtidos por atividades ilícitas prestadas a terceiros e pela venda não autorizada de armas de fogo.
Atuação da Força-Tarefa
Criada em 2021, a GAECO/FTMA atuou nas investigações relacionadas às mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes. Entre os resultados obtidos pelo grupo estão as condenações de Lessa e Élcio de Queiroz pelos assassinatos e pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, além de outras sentenças relacionadas à investigação.
Relembre o caso: Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados pelo IV Tribunal do Júri da Capital, em outubro de 2024, pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves e pela receptação do veículo utilizado no crime. Na ocasião, Lessa recebeu pena de 78 anos, nove meses e 30 dias, enquanto Élcio foi condenado a 59 anos, oito meses e 10 dias.
Em agosto deste ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) analisou recurso apresentado pelo MPRJ e aumentou as penas. Lessa passou a cumprir 81 anos e 10 meses, enquanto Élcio teve a sentença elevada para 76 anos e seis meses. O Ministério Público argumentou que a decisão de 2024 não havia considerado determinadas circunstâncias na definição das penas.
Entre os pontos considerados no julgamento do recurso estavam o planejamento da ação, a execução com diversos disparos em uma via pública de grande circulação e a tentativa de homicídio contra Fernanda. O MPRJ também apontou o uso de um veículo clonado, relacionado ao crime de receptação.
Os dois foram presos em 12 de março de 2019, cerca de um ano após o assassinato. Segundo a investigação apresentada pelo MPRJ, Lessa efetuou os disparos contra o veículo onde estavam Marielle, Anderson e Fernanda, enquanto Élcio dirigia o Chevrolet Cobalt usado na ação.
Marielle foi assassinada na noite de 14 de março de 2018, no Estácio, na Região Central do Rio. A vereadora estava no carro com Anderson Gomes, de 39 anos, e Fernanda Chaves, que sobreviveu ao ataque.
O veículo passava pela Rua Joaquim Palhares, próximo à Praça da Bandeira, quando o Cobalt se aproximou. Os ocupantes efetuaram diversos disparos. Marielle e Anderson morreram no interior do carro, enquanto Fernanda ficou ferida por estilhaços.
Em agosto deste ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) analisou recurso apresentado pelo MPRJ e aumentou as penas. Lessa passou a cumprir 81 anos e 10 meses, enquanto Élcio teve a sentença elevada para 76 anos e seis meses. O Ministério Público argumentou que a decisão de 2024 não havia considerado determinadas circunstâncias na definição das penas.
Entre os pontos considerados no julgamento do recurso estavam o planejamento da ação, a execução com diversos disparos em uma via pública de grande circulação e a tentativa de homicídio contra Fernanda. O MPRJ também apontou o uso de um veículo clonado, relacionado ao crime de receptação.
Os dois foram presos em 12 de março de 2019, cerca de um ano após o assassinato. Segundo a investigação apresentada pelo MPRJ, Lessa efetuou os disparos contra o veículo onde estavam Marielle, Anderson e Fernanda, enquanto Élcio dirigia o Chevrolet Cobalt usado na ação.
Marielle foi assassinada na noite de 14 de março de 2018, no Estácio, na Região Central do Rio. A vereadora estava no carro com Anderson Gomes, de 39 anos, e Fernanda Chaves, que sobreviveu ao ataque.
O veículo passava pela Rua Joaquim Palhares, próximo à Praça da Bandeira, quando o Cobalt se aproximou. Os ocupantes efetuaram diversos disparos. Marielle e Anderson morreram no interior do carro, enquanto Fernanda ficou ferida por estilhaços.
Depoimento de Lessa
Durante entrevista concedida à TV Record, Lessa falou sobre a execução e apresentou sua versão sobre a participação no crime. Ele afirmou que havia sido motivado por dinheiro e descreveu detalhes da perseguição ao veículo em que Marielle estava.
O ex-PM também declarou que teria recebido uma proposta milionária relacionada à morte da vereadora e citou Domingos Brazão ao falar sobre os supostos mandantes. Essas declarações fazem parte do relato apresentado por Lessa e devem ser consideradas nesse contexto.
Em relação à investigação sobre os mandantes, Domingos e Chiquinho Brazão foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que apura as mortes. Segundo a acusação, o assassinato estaria relacionado a interesses envolvendo a ocupação e a regularização de áreas na Zona Oeste do Rio.
A investigação sobre o caso também envolveu o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, que foi condenado a 18 anos por obstrução da Justiça e corrupção. O Supremo Tribunal Federal (STF), porém, o absolveu da acusação de ter planejado os assassinatos de Marielle e Anderson.
A reportagem de O DIA não localizou as defesas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. O espaço permanece aberto para manifestação.
O ex-PM também declarou que teria recebido uma proposta milionária relacionada à morte da vereadora e citou Domingos Brazão ao falar sobre os supostos mandantes. Essas declarações fazem parte do relato apresentado por Lessa e devem ser consideradas nesse contexto.
Em relação à investigação sobre os mandantes, Domingos e Chiquinho Brazão foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que apura as mortes. Segundo a acusação, o assassinato estaria relacionado a interesses envolvendo a ocupação e a regularização de áreas na Zona Oeste do Rio.
A investigação sobre o caso também envolveu o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, que foi condenado a 18 anos por obstrução da Justiça e corrupção. O Supremo Tribunal Federal (STF), porém, o absolveu da acusação de ter planejado os assassinatos de Marielle e Anderson.
A reportagem de O DIA não localizou as defesas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. O espaço permanece aberto para manifestação.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral

