Senado começa a discutir PEC do fim da escala 6x1 na terça-feira

Proposta precisará passar por cinco sessões de debate em plenário antes de ser encaminhada à votação em primeiro turno

Alcolumbre pautou início das discussões da PEC do fim da escala 6x1 para dois dias depois das eleições
Alcolumbre pautou início das discussões da PEC do fim da escala 6x1 para dois dias depois das eleições -
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) decidiu pautar para próxima terça-feira (6), dois dias após o primeiro turno das eleições, o início das discussões da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho no País. O projeto é uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, após acordo entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Se for aprovada no plenário pelos senadores, sem alterações, a PEC poderá ser promulgada e entrar em vigor.

Pelo regimento interno do Senado, porém, a proposta precisará passar por cinco sessões de discussão em plenário antes de ser encaminhada à votação em primeiro turno. Após a primeira votação, serão necessárias três novas sessões de discussão antes da votação em segundo turno.

Para ser aprovada, a PEC precisara ter ao menos três quintos dos votos dos senadores favoráveis nas duas votações. Ou seja, as duas votações terão de contar com o apoio de ao menos 49 parlamentares.

Se a PEC for alterada pelos senadores, será necessário que a Câmara faça uma nova análise do texto. A proposta é a única pauta da sessão da próxima terça-feira.

A PEC reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com limite de oito horas diárias, e assegura dois dias de repouso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos. A proposta também estabelece que a implementação da medida sem redução salarial.

Transição

O texto prevê que uma lei complementar institua medidas transitórias de mitigação de impactos em favor dos microempreendedores individuais, das micro empresas, e das empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.

Segundo a PEC, após dois meses da sua publicação, a duração do trabalho normal não poderá exceder 42 horas. Após um ano, a jornada cai para 40 horas.

A oposição ao governo tenta emplacar uma PEC alternativa, que mantém as regras atuais da CLT, mas permite que trabalhador e empregador optem por um regime flexível, de pagamento por horas trabalhadas.

"O governo está preocupado com esse projeto por um motivo: ele quer se reconectar com a sociedade, porque o desgaste está grande e vai perder as eleições", disse o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).