Copiloto usou machado para atacar comandante em voo para Israel

Segundo autoridades dos Emirados Árabes, agressor planejava ato terrorista; ele estava proibido de atuar no país de nascimento, Omã

Avião da Flydubai teve que fazer pouso de emergência na Arábia Saudita após copiloto agredir comandante
Avião da Flydubai teve que fazer pouso de emergência na Arábia Saudita após copiloto agredir comandante -
Investigadores dos Emirados Árabes Unidos afirmaram neste sábado (3) que o copiloto do voo da Flydubai com destino a Israel planejava um ato terrorista, e atacou o comandante com um machado de emergência da cabine. Na última quarta-feira (30), um avião da companhia que fazia a rota Dubai–Tel Aviv, com 174 passageiros, teve que fazer um pouso de emergência na Arábia Saudita após um piloto agredir o outro.

"O copiloto tentou cometer um ato terrorista", "atacou o comandante na cabine com o machado de emergência e tentou assumir o controle do avião", declarou o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif Al Shamsi, segundo a agência oficial de notícias WAM.

O copiloto, que continua detido nos Emirados, foi identificado por vários veículos de comunicação como Hamam al-Hammami, de nacionalidade do Omã, e afirmaram que as autoridades o tinham proibido de pilotar no país de origem por causa de suas opiniões extremistas.

Durante o voo, o copiloto atacou o comandante indiano, que conseguiu abrir a porta da cabine de comando. Os passageiros e a tripulação dominaram o agressor e o avião fez um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita.

Os passageiros relataram como invadiram a cabine e lutaram com o agressor pelo controle do avião, que perdeu cerca de 17 mil pés de altitude (cerca de 4 mil metros) em apenas um minuto, segundo o site de monitoramento aéreo Flightradar24.

"Doutrinação islamista"

Neste sábado, pela primeira vez desde a suspensão dos voos devido ao incidente, um avião com passageiros israelenses procedente dos Emirados pousou em Tel Aviv.

Segundo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o suspeito tinha sido alvo de uma "doutrinação islamista radical" e tentou derrubar o avião.

De acordo com o Wall Street Journal, as autoridades de Omã tinham proibido o copiloto de voar por suspeitarem que ele havia adotado ideias radicais.

A CNN reportou, por sua vez, que o copiloto tinha sido afastado no ano passado de um cargo na companhia aérea nacional de Omã por suspeitas relacionadas a suas opiniões extremistas.

Citando uma fonte informada sobre o caso, a Al Arabiya também indicou que as autoridades omanis haviam determinado que o copiloto tinha opiniões extremistas. A emissora afirmou que ele passou algum tempo na Síria, o que despertou suspeitas de que poderia ter sido influenciado ali por grupos radicais.

A ABC News, citando altos funcionários dos serviços de inteligência e das forças de segurança familiarizados com a investigação, informou que o suspeito teria sido encontrado em posse de material extremista quando era aluno de pilotagem.

O presidente americano, Donald Trump, advertiu na quinta-feira (1°) que, se fosse determinado que o Irã estava relacionado com o ataque, o país seria "duramente atingido".

Netanyahu indicou, por sua vez, que será investigado como o copiloto obteve autorização para trabalhar em voos com destino a Israel.

"Temos restrições que estabelecem que não se pode contar com pilotos de países que não mantenham relações diplomáticas com Israel. Evidentemente, ele conseguiu driblar essa restrição”, declarou Netanyahu à Fox News.