Eleições 2026: jovens revelam expectativas para estreia nas urnas

Número de eleitores entre 16 e 18 anos aumentou no Rio em relação a 2024, segundo dados divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral

Maria Clara Dias dos Santos, 18 anos, está ansiosa para votar pela primeira vez: 'Estou na idade de exercer o meu papel como cidadã', diz
Maria Clara Dias dos Santos, 18 anos, está ansiosa para votar pela primeira vez: 'Estou na idade de exercer o meu papel como cidadã', diz -
A primeira eleição chega cercada de expectativa para milhares de jovens que vão às urnas pela primeira vez neste domingo (4). No Rio de Janeiro, o interesse pelo voto cresceu este ano entre eleitores de 16 a 18 anos em relação às eleições municipais de 2024. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), o total passou de 179.618, em 2024, para 189.246 em 2026.
Entre os mais jovens, de 16 anos, o crescimento do número de novos títulos eleitorais solicitados, comparado às últimas eleições, foi de 19,1%. Já entre os de 17 anos, houve aumento de 13,3%. O movimento acontece mesmo o voto sendo facultativo para essa faixa etária.

Aos 18 anos, quando o voto passa a ser obrigatório, a quantidade variou pouco: de 120.835 para 121.618 eleitores. Por trás dos números estão jovens que se preparam para uma experiência inédita, entrar em uma cabine de votação, escolher seus candidatos para presidente, governador, senadores, deputado federal e estadual.
Maria Clara Dias dos Santos, de 18 anos, diz que está ansiosa e com altas expectativas para o momento. "Completei 18 anos recentemente, então já estou na idade de exercer o meu papel como cidadã para que possamos ter um país mais justo e igualitário. Espero que o meu voto faça a diferença. Votar pela primeira vez, para mim, significa que agora, definitivamente, eu estou podendo decidir que país eu quero para os próximos anos", diz.

A jovem conta que o interesse pela política começou dentro de casa. "Eu sempre tive muita referência dentro de casa. Desde cedo, a minha irmã já vem me ensinando sobre a importância de pesquisar, se manter informado, estudar etc. Então eu pesquisei muito, vi todos os debates, li as propostas e, assim, escolhi o meu candidato", detalha.

Ao contrário de Maria Clara, a jovem Angélica, de 16 anos, não tem o voto obrigatório, mas optou por exercer o direito antes dos 18. Ela lembra como fez para tirar o próprio título de eleitor. "Eu procurei sozinha no site do TSE como era o esquema para fazer meu título. Preenchi tudo, pedi para os meus pais o que era preciso da ajuda deles e depois fui com meu pai fazer a minha biometria. Poucos meses depois do meu aniversário de 15 anos, eu já tinha feito o título", comemora.

Segundo a estudante, votar é sinônimo de ter voz: "É ter o meu espaço, é poder defender o que eu acredito e, até pode parecer um pouco clichê, mas me sinto ajudando a defender a democracia do nosso país. E, sobre a hora de votar, está sim me dando um nervoso. Eu já vi vários vídeos sobre o que pode ou não fazer, mas, mesmo assim, dá um nervoso".

Para se preparar para esse momento, Angélica consumiu informações nas redes sociais e em podcasts. "Eu já vinha vendo conteúdos de política há um tempo e já pensava em que eu poderia votar. Mas agora, em época de eleição, dei uma valorizada a mais em pesquisar o que cada cargo faz e também as propostas daqueles que me interessavam. E, no círculo social que eu vivo, é comum conversar sobre política. Em casa, sempre que uma pauta surge, nós conversamos e discutimos de acordo com a opinião de cada um e, com meus amigos, também é muito rotineiro dialogar sobre que candidato cada um vai votar, propostas e afins", opina.
Marcelo Gomes, de 49 anos, pai de Angélica, conta que sempre houve diálogo em casa sobre política e que, inclusive, já aconteceram discussões acaloradas por causa do tema. Para ele, no entanto, isso nunca foi um ponto negativo para a família. Pelo contrário, Marcelo diz se orgulhar de ver a filha querer assumir essa responsabilidade mais cedo.

"Aqui em casa, a gente sempre teve uma linha muito aberta para falar de política. Já rolaram umas discussões bem acaloradas, inclusive, e isso bem antes de a Angélica poder votar. Acho que até por isso ela está bem ansiosa por esse dia da votação, que calhou de ser logo em um dia que envolve tantas escolhas, em tantos níveis de poder, e num momento em que o país e o mundo estão passando por uma situação tão crítica. Vejo que ela procurou se informar sobre quem defende o que ela acredita e quem tem propostas nesse sentido. Fico muito feliz e orgulhoso com essa postura dela", diz.
Para Sara Zanon, de 18 anos, este também é o primeiro ano em que o voto será obrigatório. A estudante, porém, afirma que a obrigatoriedade não mudou sua decisão de participar das eleições. "Meu voto é obrigatório, mas, mesmo que fosse opcional, eu escolheria votar, porque acredito que participar das eleições é uma forma importante de exercer minha cidadania e contribuir para as decisões do país", afirma.

A estudante também está ansiosa para este domingo. Ela diz que conversou com familiares e acompanhou notícias e informações sobre política para escolher os seus candidatos. "Apesar de não estar completamente satisfeita com todas as opções, fico feliz por poder participar desse processo e escolher o que considero melhor para o país. Votar, para mim, significa exercer meu papel como cidadã e passar a participar diretamente de uma decisão que irá influenciar a minha vida e a de muitas pessoas nos próximos anos. Estou curiosa para saber como é a experiência", afirma. 
A estudante Thaís Queiroz, de 18 anos, conta que, agora como eleitora, passou a se enxergar na posição de exercer o direito de participar das decisões políticas. "Minhas expectativas estão altas. Estou curiosa para saber como é participar estando em uma seção eleitoral, uma vez que algumas pessoas acham um processo chato e outras acham um momento importante. Acredito que signifique que estou exercendo a minha cidadania em um país democrático", declara.

A jovem explica que a ansiedade não está relacionada ao processo de votação em si, mas à curiosidade para entender como funciona a urna eletrônica. Nas Eleições 2026, Thaís conta que se preparou para escolher seus candidatos pesquisando as propostas e os posicionamentos de cada um. "Me preparei buscando candidatos que se alinham com minhas expectativas e desejo para um futuro melhor", afirma.
Em todo território brasileiro, cerca de 1 milhão e 600 mil jovens de 16 e 17 anos estão aptos para votar neste ano, segundo as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral. O direito ao voto dos menores de 18 anos foi conquistado com a Constituição Federal de 1988. À época, a votação da emenda na Assembleia Nacional Constituinte foi acompanhada por diversos estudantes que reivindicavam a garantia.
Eles puderam participar do pleito presidencial de 1989, a primeira eleição direta desde 1964, quando a ditadura militar interrompeu o processo democrático.

Primeiro título

O alistamento eleitoral pode ser solicitado a partir dos 15 anos. No entanto, o voto só é permitido para quem tiver completado 16 anos até a data do primeiro turno.

A pessoa menor de idade pode solicitar o título eleitoral diretamente, sem necessidade de autorização ou acompanhamento da mãe, do pai ou de representante legal. Para as Eleições 2026, os pedidos iniciados pela internet deveriam ser feitos até 6 de abril, com posterior comparecimento a uma unidade da Justiça Eleitoral. O atendimento presencial ficou disponível até 6 de maio.

Para obter o título, é necessário apresentar um documento de identificação, um comprovante de residência atualizado e, quando for o caso, o documento relacionado ao serviço militar obrigatório. Certidões de nascimento ou casamento também podem ser usadas no alistamento, assim como outros documentos públicos que comprovem a identidade, a nacionalidade e a idade mínima.

Quem não solicitou o título até 6 de maio não poderá votar nas Eleições 2026. Os serviços de alistamento, transferência e revisão serão retomados após o processamento dos dados do pleito.

Voto facultativo

Aos 16 e 17 anos, o voto é facultativo. Por isso, jovens nessa faixa etária que não comparecerem às urnas não precisam justificar a ausência nem pagar multa. Também não têm a inscrição eleitoral cancelada por três ausências consecutivas enquanto permanecerem na condição de eleitor com voto facultativo.

A facultatividade não impede que esses jovens participem das eleições. Com o título eleitoral, eles podem exercer o direito de votar e participar da escolha de representantes para os Poderes Executivo e Legislativo.

A partir dos 18 anos, o alistamento e o voto passam a ser obrigatórios. A legislação prevê multa para brasileiras e brasileiros que não se alistarem até os 19 anos, ressalvadas as exceções previstas em lei.