Policiais civis prenderam, em flagrante, uma advogada por ocultar documentos de uma idosa, de 90 anos, já falecida, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. A prisão ocorreu em meio a uma investigação sobre o desvio de dinheiro da vítima e foi convertida em preventiva neste sábado (3).
Segundo investigações da 37ª DP (Ilha do Governador), Jéssica Cabral Barradas era vizinha da vítima, que recebia pensão militar e benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2014, a Justiça do Rio nomeou a advogada como curadora e ela passou a administrar os interesses e o patrimônio da idosa.
Os recursos deveriam ser utilizados em benefício da pensionista. As apurações, entretanto, identificaram transferências da conta da vítima para a conta pessoal da advogada e movimentações que continuaram depois da morte da idosa.
De acordo com a apuração, seis dias após o óbito, uma quantia saiu da conta da falecida para a de Jéssica, ocorrendo também um saque de dinheiro. No ano seguinte à morte, foram identificadas compras com o cartão da vítima.
Na última sexta-feira (2), agentes estiveram na residência da advogada, no Cacuia, na Ilha do Governador, para cumprir um mandado de busca e apreensão.
No apartamento, os policiais encontraram a certidão de óbito e a carteira de identidade original da idosa, que morreu em julho de 2019. A corporação informou que o filho da vítima cobrava a devolução dos documentos havia sete anos, mas a advogada alegava que estavam "guardados em caixas". A mulher teria enviado fotos dos papéis, indicando que sabia onde estavam, mas continuou sem devolvê-los. o herdeiro precisou obter uma segunda via da certidão de óbito, em 2023, para conseguir acionar o seguro de vida a mãe.
Além dos documentos da idosa, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o filho reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. As peças da família já haviam sido descritas por ele em depoimento anterior.
Durante a busca, acompanhada por representantes da seccional Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), as equipes localizaram o celular de Jéssica escondido no ralo do banheiro. De acordo com os policiais, ela teria colocado o aparelho no local para impedir sua apreensão, autorizada pela Justiça.
A mulher foi autuada em flagrante por ocultação de documento público. Ela já responde por 12 crimes de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas.
Prisão preventiva
Neste sábado (3), Jéssica passou por audiência de custódia, onde teve a prisão em flagrante convertida para preventiva.
Em sua justificativa para a decisão, o juiz Danilo Nunes Cronemberger Miranda destacou que há um risco de reiteração dos delitos, que há necessidade de preservar a investigação e que existe o perigo de intimidação da vítima.
A decisão considerou um histórico relacionado a uma investigação de coação no curso do processo e a proximidade da suspeita com a família da idosa.
Miranda ainda reconheceu a legalidade do flagrante, rejeitou o pedido de soltura apresentado pela defesa da advogada e afastou a alegação de que a prisão estaria relacionada ao exercício da advocacia.
A reportagem ainda não localizou quem faz a defesa de Jéssica. O espaço está aberto para manifestação.

