Anthony Garotinho (Republicanos), que teve a candidatura ao Governo do Estado do Rio indeferida, votou, na manhã deste domingo (4), no Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria, no Catete, na Zona Sul da capital. Na ocasião, afirmou que sua defesa apresentou um novo recurso para que os votos em seu nome sejam válidos.
Na última segunda-feira (2), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revogou a liminar que permitia a manutenção da campanha de Garotinho, com acesso a recursos públicos, propaganda eleitoral e debates. Com a decisão, os votos destinados ao ex-governador no primeiro turno serão considerados nulos enquanto estiver em vigor o indeferimento do registro de sua candidatura.
Apesar da decisão, o nome de Garotinho permanece na urna eletrônica neste domingo (4), já que o recurso apresentado pela defesa contra o indeferimento ainda será analisado pelo TSE. Após votar, Anthony pediu à população que vote em seu número, com o intuito de gerar uma nova eleição, considerando um artigo do Código Eleitoral.
"Pela lei eleitoral, se o candidato mais votado tiver seus votos anulados, o segundo colocado não é chamado. São convocadas novas eleições. Estou pedindo à população que eu seja o mais votado, para que haja novas eleições. O que aconteceu no Rio é uma vergonha. Visivelmente uma eleição manipulada. A população foi induzida a achar que não poderia votar em mim. Chegando lá, vai apertar a vai aparecer a minha foto. A eleição do Rio foi fraudada", afirmou.
O ex-governador contou que seu advogado entrou com um recurso, na manhã deste domingo (4), junto à presidência do TSE para que os votos em seu nome sejam válidos. O candidato destacou que o ministro Nunes Marques suspendeu a decisão que anulava os votos do candidato ao Senado Deltan Dallagnol. A determinação, de acordo com Garotinho, também deveria valer para ele.
"Entramos com uma petição para que os votos sejam contabilizados normalmente. Uma decisão monocrática do ministro Floriano cassou uma decisão colegiada. A gente vinha dizendo que estava errado. Estou tomando um prejuízo imenso, mas pelo menos fará justiça, mesmo que tardia. Meus advogados entraram com uma medida idêntica ao que foi dada do Deltan Dallagnol. O registro dele tinha sido cassado monocraticamente, pelo mesmo ministro, ontem à noite, logo depois do meu. Lamento que seja tão tarde. Eu não teria tido o prejuízo que estou tendo no momento. Quantos votos eu perdi por causa disso? Isso é ruim para o país", discursou.
O ex-governador afirmou que não apoiará Eduardo Paes (PSD) e nem Douglas Ruas (PL) na disputa. De acordo com Garotinho, os dois são "bandidos".
"Essa possibilidade de apoiar bandido está fora do meu leque de opções. Aqui no Rio, não sou via nenhuma. As vias do Rio estão todas corrompidas. Não vou parar de denunciar o pessoal. Vou continuar denunciando esse assalto que ocorre, por parte da classe política, aos cofres do estado. Eu faço jornalismo, há 40 anos, investigativo. Eu sei bem o que está acontecendo no Rio. É apenas um reflexo do que está acontecendo no Brasil. As instituições estão podres, estão tomadas por dinheiro. Quem de fato enfrenta o crime, só tinha a minha candidatura. Eu fui muito prejudicado", discursou.
Entenda o indeferimento da candidatura
O processo começou em uma ação de improbidade administrativa relacionada ao período em que Garotinho ocupou a Secretaria de Estado de Governo, durante a gestão de sua mulher, Rosinha, entre 2005 e 2006. O procedimento está relacionado ao projeto Saúde em Movimento e a contratos envolvendo a área da Saúde. Em 2018, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) condenou Garotinho por improbidade administrativa e determinou, entre outras medidas, a suspensão dos direitos políticos por oito anos.
A discussão que chegou às eleições de 2026 não se restringiu ao conteúdo da condenação. A defesa de Garotinho passou a questionar principalmente quando começou a contar o período de oito anos de suspensão dos direitos políticos.
Em agosto, depois de determinação da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital para comunicar a suspensão dos direitos políticos ao TSE e ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), sua defesa sustentou que a punição já havia terminado em 1º de agosto de 2026. Os advogados argumentaram que o trânsito em julgado deveria ser considerado em 1º de agosto de 2018 e que decisões posteriores dos tribunais superiores apenas teriam natureza declaratória.
Contudo, as alegações não foram acolhidas pela Justiça Eleitoral. Em 11 de setembro, o TRE-RJ indeferiu, por unanimidade, o registro da candidatura de Garotinho ao Governo do Rio. O colegiado entendeu que a suspensão dos direitos políticos atingia uma condição necessária para a candidatura e reconheceu a incidência de causa de inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa.
Em 29 de setembro, o TRE-RJ voltou a analisar o caso e manteve o indeferimento do registro de Garotinho. A defesa informou que recorreria ao TSE. Na prática, o ex-governador chegou à reta final da campanha com o registro negado pela Justiça Eleitoral, mas ainda com recurso pendente na instância superior.
Com a revogação da liminar, o entendimento vigente volta a ser o de que Garotinho permanece com o registro indeferido. Por isso, os votos destinados a ele no domingo serão registrados como anulados sub judice até que o TSE julgue definitivamente o recurso.
Com a revogação da liminar, o entendimento vigente volta a ser o de que Garotinho permanece com o registro indeferido. Por isso, os votos destinados a ele no domingo serão registrados como anulados sub judice até que o TSE julgue definitivamente o recurso.


