Apesar do voto não ser obrigatório a partir dos 70 anos, idosos fizeram questão de irem às urnas no primeiro turno, neste domingo (4). O MH esteve em locais de votação de Rocha Miranda e Vila da Penha, na Zona Norte do Rio, e acompanhou as movimentações.
Marisa Barbosa, de 86 anos, decidiu votar com a esperança de um futuro melhor. "Acho muito importante para o nosso país, que está atravessando uma situação dessas. As pessoas endividadas, sem escolaridade com bom um padrão. A gente sempre pensa no futuro, que pode melhorar. Então, a gente vota com aquela sensação e esperança que meu voto vai valer alguma coisa", disse ela, que estava na Escola Municipal Itália, em Rocha Miranda. Marisa foi acompanhada da irmã, Anatólia Barbosa, de 80, que também exerceu seu direito ao voto.
No mesmo local, Maria Salete, de 71, também explicou quais foram os motivos que a levaram até a urna. "Para não deixar o mal acontecer porque está difícil. E política não é briga, quem comanda é o povo. O que povo precisa é de concurso público que eles não dão. Estudo um dá, e o outro não dá concurso público. O que adianta? Eles querem governar o quê? Nada. Querem governar para eles."
Para Horácio de Souza, de 82, o voto das pessoas com mais de sete décadas de vida contribui para melhorias na sociedade. "Achei importante porque na minha opinião, se a gente, idoso, não vota, abre mais um leque para a situação que está aí. E se a gente vota já ajuda a fazer com que as coisas mudem. Essa é a minha ideia", falou ele, no Ginásio Experimental Tecnológico Professor Ary Quintella, na Vila da Penha.
Horácio não votada há muitos anos. Ele, então, revelou o motivo da mudança. "Eu já não votava há algumas eleições, mas dessa vez achei interessante e importante. Porque eu acho que é mais uma força para a direita. Apesar de que, honestamente, lá no fundo do meu coração, é todo mundo farinha do mesmo saco. [...] Eu já vivi, já fiz o meu papel, eu acho. Já realizei o que tinha que realizar, acredito eu. Mas tem muita gente que não. Eu tenho neta, sobrinhos e fico pensando nisso. Minha preocupação é essa, o país que vamos deixar para eles."
Zuleide Tavares de Faria, de 70, compareceu no mesmo ponto de votação. Ela revelou que viveu nos Estados Unidos por 18 anos e retornou à sua pátria há cerca de 2 anos. A moradora de Colégio, na mesma região, criticou a atual situação do país.
Zuleide Tavares de Faria, de 70, compareceu no mesmo ponto de votação. Ela revelou que viveu nos Estados Unidos por 18 anos e retornou à sua pátria há cerca de 2 anos. A moradora de Colégio, na mesma região, criticou a atual situação do país.
"[Vim votar] para ter um Brasil melhor, para as pessoas terem direito a medicamento que lá [Estados Unidos] tem. Lá eu não comprava. [...] Eu voltei porque a minha filha não quis se morar lá e eu fiz uma casa aqui e eu tenho que aproveitar o que eu fiz, pelo menos o meu resto de vida. [...] Encontrei um Brasil pior do que eu deixei", disse.
Além da faixa etária, o voto também é facultativo para analfabetos e menores de idade com 16 e 17 anos.
* Colaboraram Reginaldo Pimenta e Carlos Elias Junio


