Estudantes de universidades, institutos federais e escolas públicas realizaram, nesta quarta-feira (7), uma manifestação no Centro do Rio em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O ato também teve críticas às propostas defendidas pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A mobilização começou na Candelária e seguiu em caminhada até a Cinelândia. O protesto foi organizado por entidades estudantis, entre elas a União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ) e a Associação dos Estudantes do Estado do Rio de Janeiro (AERJ), além de coletivos universitários e movimentos de juventude. Estavam presentes no ato a deputada federal e candidata ao senado nessas eleições, Benedita da Silva (PT), o deputado federal Chico Alencar (PSOL) e William Siri (PSOL), vereador e candidato ao governo.
Segundo os organizadores, a manifestação teve como foco a defesa da democracia, da educação pública e de políticas voltadas para a juventude. Participaram estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de institutos federais e de colégios da rede pública.
Professor da rede pública e estudante da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Hudson Marinho, de 27 anos, morador de Volta Redonda, afirmou que a mobilização representa a defesa de conquistas históricas ligadas ao acesso à educação.
"A gente está vivendo um momento muito desafiador para o país. Nossos avós estiveram nas Diretas Já, muitos dos nossos pais não tiveram oportunidade de concluir os estudos porque precisaram trabalhar cedo, e a nossa geração cresceu em um período de expansão da educação pública. É importante estarmos aqui para defender isso." disse.
Hudson também criticou propostas que, segundo ele, podem reduzir o papel do Estado em áreas como educação.
"Quando se fala em ampliar parcerias entre o público e o privado, a gente teme perder oportunidades de garantir educação de qualidade para o filho do trabalhador. O jovem precisa ter acesso à cultura, ao lazer e ao conhecimento. A educação não pode ser vista apenas como preparação para o mercado de trabalho. O trabalho é importante, mas também precisamos construir uma sociedade melhor e garantir que mais pessoas tenham oportunidades." afirmou.
Estudante e pesquisador, o morador de São Gonçalo, Pedro Soares, destacou a participação de diferentes gerações na manifestação e afirmou que o ato representa uma juventude cada vez mais envolvida com a política. Para ele, a mobilização também reforça a defesa da democracia e das políticas públicas.
“A importância deste ato é mostrar uma juventude que está se interessando cada vez mais pela política e entendendo o que está em jogo para o país. Vimos estudantes, professores, pais e diferentes gerações ocupando as ruas em defesa da democracia, da soberania nacional e das instituições democráticas. É uma juventude que entende que faz parte da política, que depende das políticas públicas e que está lutando pelo presente e pelo futuro, para que erros do passado não se repitam. É um momento histórico”
Beatriz Duarte, de 23 anos, estudante do ISERJ e moradora de Campo Grande, afirmou que a mobilização também busca incentivar jovens que ainda não se envolveram com o processo eleitoral.
“Eu vim de Campo Grande porque acredito que é importante mostrar para os estudantes que estão em casa que a voz deles importa e pode ajudar a mudar o Brasil. Este ato é uma forma de mostrar que a juventude tem participação nas decisões do país e que ainda existe esperança para o futuro.”
O ato ocorreu de forma pacífica e contou com faixas, cartazes e palavras de ordem em defesa da democracia e da educação pública. Os organizadores afirmam que novas mobilizações poderão ser realizadas ao longo da campanha do segundo turno.
Colaborou Carlos Elias Júnior


