Dispositivo aumentava valor da corrida
No decorrer das diligências, os agentes localizaram o carro, que passou por perícia. Os exames do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro e capaz de multiplicar os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, fazendo com que a tarifa aumentasse. Escondido atrás de um botão do porta-malas, o dispositivo podia ser acionado discretamente pelo motorista e acrescentar, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida.
Entenda o esquema
O aprofundamento das investigações revelou que o mecanismo não seria utilizado de forma isolada por motoristas, mas faria parte de uma estrutura organizada. Documentos apreendidos indicaram que a instalação do dispositivo era exigida pela empresa responsável pela locação dos táxis e realizada em uma oficina indicada pelo próprio grupo.
Há indícios de que a frota vinculada a categoria alcance cerca de 200 veículos. Além disso, também se apura a possibilidade de que o mecanismo já viesse instalado em modo automático antes mesmo da entrega do carro ao motorista locatário, o que permitiria que a fraude operasse de forma contínua e silenciosa.
Os agentes identificaram ainda a atuação de "jóqueis" no aeroporto, que abordavam passageiros, especialmente turistas e pessoas que não conheciam a cidade, e recebiam comissão por direcioná-los aos veículos sem autorização para operar no terminal aeroportuário. O material coletado pelos agentes identificou diversas cobranças abusivas, incluindo corridas superiores a R$ 900 para a Zona Sul do Rio.
De acordo com as apurações, a atuação dos "jóqueis" é coordenada por um integrante do tráfico de drogas que atua na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, localizada ao lado do aeroporto. A organização criminosa vem tentando, ainda, impor aos taxistas regularmente autorizados que passem a atuar em conjunto com os captadores, submetendo também o serviço legalizado ao seu controle. Segundo os agentes, essa prática, até o momento, não se concretizou.
Os alvos das ações desta quinta-feira abrangem a sede operacional e o pátio de frota de um grupo empresarial de locação de táxis, uma pessoa jurídica a ele vinculada e a oficina responsável pela instalação do dispositivo fraudulento.
Delegado detalhe ação
Segundo o delegado Victor Tuttman, da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), um dos taxistas investigados revelou o esquema após ser denunciado por um passageiro, em janeiro deste ano. Na ocasião, ele teria tentado se livrar do equipamento instalado no carro durante uma abordagem.
O delegado destacou ainda que há diversos registros de ocorrências relatando práticas semelhantes, principalmente envolvendo turistas que não conhecem a distância dos deslocamentos e acabam surpreendidos por cobranças exorbitantes.
Ele ressaltou que a maior parte dos taxistas investigados é legalizada, mas não tem autorização para atuar no aeroporto. "Eles atuam ilegalmente na região do aeroporto. Ou seja, não ficam parados no Galeão. Ficam nos arredores, e os ‘jóqueis’ fazem a intermediação", afirmou.
O grupo é investigado por organização criminosa, estelionato, crimes contra as relações de consumo e contra a economia popular.
"Agora nós vamos analisar a situação de cada um. Há vários táxis que serão periciados, além da documentação. Em um dos táxis, apreendemos dez celulares roubados, que provavelmente são de passageiros que esqueceram os aparelhos e eles não devolveram", disse o delegado.
A orientação aos passageiros é sempre utilizar os serviços credenciados do aeroporto, dando preferência aos táxis parados nos pontos autorizados e às cabines localizadas no interior do Galeão.

