A Secretaria Municipal de Saúde confirmou a morte. Segundo a direção do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde a atleta recebeu atendimento, a equipe médica realizou esforços para salvá-la, mas ela não resistiu.
Após a queda, Rie foi encontrada desacordada e socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros. Testemunhas relataram que a remadora foi levada pela correnteza. Para fazer o resgate, os militares utilizaram um helicóptero, e a vítima foi transportada para o hospital. Ainda não foram divulgados detalhes sobre as cerimônias de despedida.
Conhecida no meio esportivo como Japa, Rie também se dedicava à formação de novos praticantes de canoa havaiana. Ela criou a escola Barra Va’a, na Barra da Tijuca, e o Projeto Somar, iniciativa ligada à prática esportiva. Em manifestação de pesar, a Confederação Brasileira de Va’a ressaltou a contribuição da atleta para a modalidade e sua relação com alunos e colegas.
Do acidente à conquista de dois ouros
A trajetória de Rie na canoa havaiana começou após um acidente sofrido em 2017, quando descia de skate uma rampa em Petrópolis e precisou desviar de um ônibus. Ela fraturou o tornozelo e, durante a recuperação, percebeu que não conseguia mais permanecer muito tempo em pé sobre uma prancha de stand up paddle.
Por orientação médica, procurou uma modalidade em que pudesse remar sentada. A canoa havaiana passou a fazer parte de sua vida e, a partir de 2022, ela começou a competir.
Em 2025, Rie conquistou duas medalhas de ouro representando o Brasil no Pan-Americano de Va’a, realizado na Ilha de Páscoa, território chileno no Oceano Pacífico. Ela venceu nas categorias V6 Master, em uma canoa para seis remadores destinada a atletas acima de 40 anos, e V3 Open, disputada em embarcações para três pessoas.
A atleta também havia conquistado uma medalha de bronze no Campeonato Mundial, na categoria sprint, além de títulos brasileiros que garantiram sua participação em competições internacionais.
Sem patrocínio para custear a viagem ao Pan, Rie chegou a organizar uma campanha de arrecadação nas redes sociais para conseguir representar o país.
Fora das competições, a remadora dava aulas para dezenas de alunos em suas bases de treinamento. Parte das atividades oferecia condições especiais para pessoas com deficiência, incluindo paratletas amputados e pessoas com deficiência visual, além de alunos autistas.
A Confederação Brasileira de Va’a manifestou solidariedade à família, aos amigos e aos alunos da atleta. Em nota, a entidade ressaltou que a paixão de Rie pela modalidade e seu trabalho marcaram a trajetória de muitas pessoas que tiveram a oportunidade de conviver e remar com ela.

