Penha recebe carreta de cardiologia do SUS

Unidade móvel do programa Agora Tem Especialistas conta com equipamentos que permitem investigar alterações no coração e na pressão arterial

Elizabeth Coelho, de 70 anos, acompanhou a vizinha Sebastiana de Oliveira, 98 anos, para se consultar
Elizabeth Coelho, de 70 anos, acompanhou a vizinha Sebastiana de Oliveira, 98 anos, para se consultar -
A primeira carreta de cardiologia do Sistema Único de Saúde (SUS) chegou ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (9). A unidade móvel está instalada no bairro da Penha, na Zona Norte, e oferece consultas e exames especializados para ampliar o acesso da população aos cuidados com a saúde do coração. A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal.
Na carreta, os pacientes podem passar por avaliações médicas e realizar exames para identificar problemas cardíacos, acompanhar doenças já diagnosticadas e receber orientações sobre o tratamento. A estrutura conta com consultório especializado, eletrocardiograma, ecocardiograma, Holter, Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e raio-X digital. Os equipamentos permitem investigar alterações no coração e na pressão arterial, além de monitorar o funcionamento cardíaco ao longo do dia.

A unidade permanecerá na Penha até 6 de novembro. A equipe é formada por médico cardiologista, enfermeiro, técnico de enfermagem, profissional de apoio remoto e agente do cuidado. A previsão é realizar mais de 1,5 mil procedimentos por mês. Para receber atendimento, os pacientes precisam ser encaminhados pela rede pública de saúde.

Moradoras são atendidas no primeiro dia

As vizinhas Elizabeth Coelho, de 70 anos, e Sebastiana Oliveira, de 98, foram algumas das primeiras pacientes atendidas na carreta. Elizabeth acompanhou Sebastiana após as duas receberem uma ligação da unidade pública de saúde responsável pelo acompanhamento da idosa.

Segundo Elizabeth, Sebastiana aguardava atendimento pelo Sistema de Regulação (Sisreg) e apresenta problemas renais e cardíacos. Ela também vinha sofrendo com uma tosse alérgica intensa, que, conforme o relato, estaria relacionada ao problema renal.

"Ela estava na fila do Sisreg, com problemas renais e cardíacos. Hoje, recebeu uma ligação da área da saúde pedindo que viesse para fazer uma avaliação. Ela também está com uma tosse alérgica muito forte que, após investigação, descobriu-se que tem origem no problema renal", contou Elizabeth. De acordo com ela, o atendimento para a realização do exame ocorreu sem demora.

Carreta vai atender 13 comunidades

Durante a inauguração da unidade, a secretária de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, afirmou que a carreta chega para complementar os serviços já oferecidos pela rede pública. Segundo ela, a escolha da Penha levou em consideração a concentração de mais de 100 mil habitantes na região, o que também permitirá avaliar os resultados da iniciativa no município.
"É a primeira carreta que chega ao município do Rio de Janeiro. Estamos no Complexo da Penha, onde temos uma fila muito grande na cardiologia, e a carreta vem para somar. Além das consultas, ela oferece exames complementares. Apesar de o Rio ter 244 unidades de atenção básica, agora conta com esse programa, que vai dar melhores condições aos pacientes que já são atendidos", afirmou.

A secretária acrescentou que o primeiro dia de funcionamento já permitiu identificar necessidades da população e ressaltou a importância de acompanhar os resultados do modelo antes de avaliar sua efetividade.

Ainda segundo Ana Luiza Caldas, a carreta atenderá 13 comunidades, aproximando os serviços especializados dos moradores. A estrutura também permitirá a realização de avaliações de risco cirúrgico. "Com isso, também oportunizamos a avaliação de risco cirúrgico, otimizando o tempo de espera e melhorando o cuidado que tanto defendemos, acreditamos e fortalecemos todos os dias no Sistema Único de Saúde (SUS)", destacou.

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, com um óbito registrado a cada 72 segundos, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Em 2025, foram registradas cerca de 398 mil mortes por essas doenças. Nesse contexto, a iniciativa contribui para que os pacientes sejam identificados mais cedo e encaminhados, quando necessário, para outros serviços de alta complexidade. Também amplia o acesso em regiões onde a população enfrenta mais barreiras para chegar aos serviços de saúde.

Balanço

A atenção cardiovascular é uma das áreas prioritárias do programa Agora Tem Especialistas, que oferece consultas, exames e procedimentos especializados e reduz o tempo de espera no SUS. A assistência na rede pública de saúde inclui cirurgias cardiovasculares e vasculares, procedimentos endovasculares e serviços de eletrofisiologia. Em 2025, foram realizadas 326,5 mil cirurgias do aparelho circulatório.

Entre 2023 e julho de 2026, o SUS registrou 2,6 milhões de internações relacionadas a doenças cardiovasculares, mostrando o impacto dessas condições na saúde da população. Com a carreta, é possível agilizar a identificação de alterações cardíacas, o diagnóstico e o encaminhamento para o tratamento adequado, contribuindo para evitar o agravamento dos casos e reduzir complicações.

Nos casos mais graves, a rede também oferece transplante cardíaco. Em 2025, o país registrou 428 transplantes de coração. Entre janeiro e agosto de 2026, já foram 288 procedimentos. Os números reforçam a capacidade de atendimento do SUS para doenças cardiovasculares avançadas.

Carretas já fizeram mais de 1 milhão de procedimentos

Segundo dados da pasta, juntas, as unidades móveis já realizaram mais de 1,2 milhões de procedimentos em todo o país, beneficiando cerca de 458 mil pessoas em mais de 4,5 mil municípios o que contribuiu para 104 filas zeradas.

Atualmente, são 132 unidades móveis em funcionamento, sendo 10 delas em municípios do estado do Rio de Janeiro.

Trombolíticos para tratamento de infarto e AVC na rede de urgência e emergência

Para reforçar a atenção às situações de urgência e emergência em cardiologia, foi sancionado, em setembro deste ano, o Projeto de Lei nº 5.972/2023, que prevê a ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos, incluindo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Esses medicamentos são utilizados para dissolver os coágulos que podem causar Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico e, quando administrados rapidamente, podem salvar vidas e reduzir o risco de sequelas.
Colaborou Carlos Elias Junior