Retotalização dos votos confirma Douglas Ruas eleito governador

Presidente da Alerj assume pela primeira vez o Estado do Rio; anulação da votação recebida por Anthony Garotinho garantiu a conquista

Douglas Ruas (PL) é eleito com resultado do primeiro turno
Douglas Ruas (PL) é eleito com resultado do primeiro turno -
Douglas Ruas (PL) foi declarado governador eleito do Rio de Janeiro na tarde deste sábado (10), após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) concluir a retotalização dos votos do primeiro turno. Com 50,88% dos votos válidos, ele ultrapassou o percentual necessário para vencer a disputa sem a realização de um segundo turno contra Eduardo Paes (PSD). A vice-governadora eleita será Fernanda Louback (PL), vereadora de Niterói. Outros candidatos e coligações têm até cinco dias para contestar ou impugnar o resultado.
"Primeiro, o responsável técnico emitirá o relatório resultado da totalização e o entregará à comissão apuradora. Depois, esse relatório ficará três dias na Secretaria do Tribunal, à disposição dos partidos, das federações e das coligações, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Ministério Público Eleitoral. Em seguida, os interessados terão dois dias para apresentar eventuais reclamações, e a comissão apuradora terá três dias para se manifestar sobre elas. Por fim, o plenário desta Corte julgará as reclamações, aprovará o relatório e proclamará o resultado definitivo no dia 15", explicou Cláudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ. 
A vitória representou uma virada em relação ao cenário apresentado durante boa parte da campanha. Paes liderou as pesquisas ao longo do primeiro turno, enquanto Ruas cresceu na reta final e reduziu de forma significativa a distância para o candidato do PSD.
No domingo da eleição, Ruas recebeu 4.271.199 votos, ou 49,27%, enquanto Paes ficou em segundo, com 3.706.984, correspondentes a 42,76%. Em terceiro, Garotinho, que concorreu sob júdice, com 274.411. 
Na quinta-feira (8), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu anular e excluir os votos de Garotinho da contagem. Com isso, Ruas ultrapassou a marca de 50%, sendo declarado governador eleito ainda no primeiro turno.
Ainda na quinta, o candidato do PL comemorou a decisão do TSE e traçou planos para o governo, durante uma coletiva realizada na sede do partido, no Centro do Rio. Ruas afirmou que a segurança pública será o foco inicial do governo. Ele voltou a defender uma atuação mais rígida contra facções criminosas.
"O primeiro ato do nosso governo será declarar guerra ao crime organizado. Vamos trabalhar para devolver as ruas do Rio de Janeiro para a população", disse.
Ruas garantiu, ainda, que vai convocar os aprovados nos concursos das forças de segurança do Estado e a elaboração de novos certames para reduzir o déficit de efetivo em órgãos como Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. Na área da Saúde, tratou como prioridade para os primeiros 100 dias de mandato a entrega do Hospital do Câncer de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Também na quinta-feira (8), depois do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar um recurso apresentado por sua coligação que desejava manter o segundo turno, Eduardo Paes (PSD) afirmou que respeita a decisão e que seu grupo político continuará cobrando resultados da nova administração estadual.
"A eleição termina, mas o meu amor pelo RJ e o meu compromisso com o povo fluminense continuam os mesmos. O PSD e o nosso grupo político seguirão vigilantes, acompanhando e cobrando resultados de um governo que representa a continuidade do grupo político que está no poder há oito anos. Seguiremos defendendo as mudanças de que o nosso estado tanto precisa", publicou nas redes sociais.

Manifestantes dizem que foram barrados por causa de cartazes

Um grupo de cidadãos que defendia a realização do segundo turno foi impedido de entrar no Palácio da Democracia, sede do TRE-RJ, neste sábado (10). Segundo os manifestantes, a entrada foi barrada por causa de cartazes com mensagens favoráveis à realização de uma nova votação.

Lis Vidal afirmou que o grupo pretendia entrar no local sem gritar ou interromper a sessão, apenas exibindo os cartazes. “A gente queria entrar com cartaz só, sem gritar, sem falar nada, mas aí agora a gente vai ter que gritar, né? Porque não pode cartaz”, declarou. A manifestante questionou a restrição e afirmou que não recebeu justificativa para a proibição.

Já o estudante de História da Uerj, Rafael Carelli disse que há preocupação entre estudantes com os rumos políticos do país e classificou o episódio como censura. Ele também relatou um caso de atropelamento que, segundo seu relato, teria ocorrido por motivação política. As declarações foram feitas durante a movimentação no tribunal, onde ocorria a retotalização dos votos do primeiro turno das eleições para o governo do estado.

Quem é o governador eleito?

 

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas entrou oficialmente na disputa pelo governo estadual como candidato do PL em julho. Durante a campanha, buscou se apresentar como uma alternativa de renovação política, mantendo proximidade com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro.

Ruas iniciou sua trajetória na administração pública em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Foi subsecretário de Trabalho entre 2017 e 2018 e superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) entre 2019 e 2020. Em 2021, assumiu a Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais, cargo que ocupou até 2022.
Naquele ano, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, a segunda maior votação para a Alerj. Em setembro de 2023, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Estado das Cidades, onde permaneceu até março de 2026. Depois, retornou ao Legislativo estadual.
 
Em abril de 2026, foi eleito presidente da Alerj com 44 votos favoráveis. Formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá, também tem pós-graduação em Gestão Pública pela instituição. Antes de ingressar na política, atuou como servidor concursado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

Quem é a vice eleita?

Com a vitória de Ruas declarada neste sábado (10), a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL), de 46 anos, assume o cargo de vice-governadora do Rio de Janeiro. 
Eleita em 2024, Fernanda estava no primeiro mandato como vereadora de Niterói. Católica e alinhada ao conservadorismo, tem como principais bandeiras a defesa da família, a segurança pública e os direitos das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Ao longo da atuação política, também deu declarações polêmicas e esteve à frente de projetos relacionados às suas pautas.
Antes de conquistar um mandato eletivo, ela atuou na organização partidária e se tornou a primeira presidente do PL Mulher em Niterói. Na função, participou de ações de filiação e de mobilização feminina para ampliar a presença de mulheres na política. Devido ao seu posicionamento, se tornou amiga próxima de Michele Bolsonaro, mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro e recém-eleita senadora.
A vereadora também se identifica como mãe atípica. Seu filho, de 16 anos, está no espectro autista, experiência que, segundo ela, está relacionada à defesa de políticas públicas para pessoas com TEA e seus familiares.
Lis Vidal esteve na manifestação em frente à sede do TRE-RJ
Lis Vidal esteve na manifestação em frente à sede do TRE-RJ Leonardo Brito / Agência O Dia
Manifestação pediu pelo segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes
Manifestação pediu pelo segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes Leonardo Brito / Agência O Dia
Rafael Carelli participou do ato em frente ao TRE-RJ
Rafael Carelli participou do ato em frente ao TRE-RJ Leonardo Brito / Agência O Dia
Desembargador Cláudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ
Desembargador Cláudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ Reginaldo Pimenta / Agência O Dia