Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, recebia reportagens do Metrópoles antes da publicação e sugeria alterações nos textos. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro mostram que Lilian Tahan, CEO do grupo, também consultava Vorcaro sobre pautas e atendia a pedidos relacionados à cobertura do banco. As informações foram divulgadas pelo UOL.
Segundo levantamento do portal, pelo menos 14 reportagens foram enviadas previamente a Vorcaro, e 11 sofreram alterações após solicitações dele. As conversas também registram duas matérias publicadas a pedido do ex-banqueiro.
A aproximação começou em maio de 2024, quando o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.
Questionada pelo UOL, a CEO afirmou que consultar fontes sobre o contexto de uma reportagem é uma prática que adota com personalidades empresariais, políticas e do Judiciário. Ela também negou relação entre o contrato publicitário e a cobertura jornalística, citando reportagens que expuseram a situação de empresas ligadas a Vorcaro.
A aproximação começou em maio de 2024, quando o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.
Questionada pelo UOL, a CEO afirmou que consultar fontes sobre o contexto de uma reportagem é uma prática que adota com personalidades empresariais, políticas e do Judiciário. Ela também negou relação entre o contrato publicitário e a cobertura jornalística, citando reportagens que expuseram a situação de empresas ligadas a Vorcaro.
Contrato de R$ 20 milhões
A aproximação entre Vorcaro e Tahan começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, então consultor do banqueiro, apresentou a executiva a ele e a Luiz Estevão, dono do Metrópoles. No mês seguinte, o Master pagou R$ 1 milhão ao portal. Em julho, acertou outros R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de empresas do grupo, a seguradora Kovr e o banco digital Will.
Em novembro, foi negociado um contrato de publicidade de R$ 20 milhões. “Tá caro esse Metrópoles”, escreveu uma funcionária a Vorcaro. “Coisa mais importante [da] nossa vida é esse Metrópoles”, respondeu ele. Em seguida, confirmou a aprovação do acordo. Em 2025, o valor foi pago em parcelas de R$ 5 milhões, segundo as mensagens.
Pedidos de alteração em reportagens
Em abril de 2025, Vorcaro contestou uma informação sobre uma suposta oferta de compra de ativos do Master por R$ 1. “Proposta de 1 real nunca existiu!”, escreveu. “Tiramos”, respondeu Tahan.
Dias depois, a CEO sugeriu uma reportagem comparando os balanços do Master e do BRB. Vorcaro pediu para conferir os dados antes da publicação, e Tahan concordou. O texto foi publicado no mesmo dia, após a consulta.
Em maio, o banqueiro solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. O pedido foi aceito.
As mensagens também mostram Vorcaro opinando sobre textos relacionados a Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a compra do Master pelo BRB. Em uma entrevista com o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o banqueiro sugeriu reduzir as referências a Gomes e concentrar o texto em Campos Neto. A alteração foi atendida.
Em outra reportagem sobre Gomes, Vorcaro pediu a retirada de um trecho sobre a falência do banco e sugeriu incluir informações sobre uma suposta divisão interna no Banco Central e especulações sobre o futuro profissional do diretor. Segundo as mensagens, as solicitações também foram incorporadas.
Tahan afirmou ao UOL que Gomes se tornou relevante para a cobertura por se posicionar contra a aquisição do Master pelo BRB, assunto de interesse do público do Distrito Federal.
Pedido para reduzir cobertura de adversário
Em agosto de 2025, Vorcaro pediu que o portal diminuísse temporariamente a cobertura de Ricardo Cappelli, então pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal, que criticava a compra do Master pelo BRB.
“Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o banqueiro. “Deixa comigo”, respondeu Tahan.
Questionada pelo UOL, a CEO afirmou que Luiz Estevão sempre foi crítico à compra do Master pelo BRB e que forneceu a Cappelli análises sobre problemas nos balanços do banco estatal.
Em 17 de novembro de 2025, dia em que Vorcaro foi preso, Tahan enviou ao banqueiro uma mensagem sobre textos a respeito da venda do Master à Fictor, antes da publicação. Após as alterações solicitadas por Vorcaro, escreveu: “Publicada hahahaha”.
A reportagem procurou as assessorias de Daniel Vorcaro e do Metrópoles para comentar as mensagens e os pedidos de alteração. A defesa de Vorcaro informou que não vai se posicionar. Já a do Metrópoles, ainda não retornou aos questionamentos da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

