Dois anos após ser agredido com um cassetete no gatil de um condomínio na Gávea, na Zona Sul do Rio, Carmo Souza Dias dos Santos, 64 anos, e sua família ainda lidam com as consequências do episódio. Segundo a mulher dele, Adriana Santos, o casal precisou vender o imóvel e se mudar por medo e pelo clima hostil entre vizinhos. O acusado das agressões, Carlos Henrique Macário Morais, continua foragido.
Carmo sofreu uma lesão grave no baço, que provocou hemorragia interna. De acordo com Adriana, ele precisou ser transferido do Hospital Municipal Miguel Couto para outra unidade, onde recebeu acompanhamento médico. Ela afirma que, sem o socorro adequado, o marido poderia ter morrido.
"Ele ficou com uma cicatriz do peito até o fim da barriga. Como o baço é um órgão ligado à imunidade, ele teve e terá que tomar diversas vacinas, pois qualquer infecção pode ser gravíssima", disse Adriana ao jornal O DIA.
Carmo sofreu uma lesão grave no baço, que provocou hemorragia interna. De acordo com Adriana, ele precisou ser transferido do Hospital Municipal Miguel Couto para outra unidade, onde recebeu acompanhamento médico. Ela afirma que, sem o socorro adequado, o marido poderia ter morrido.
"Ele ficou com uma cicatriz do peito até o fim da barriga. Como o baço é um órgão ligado à imunidade, ele teve e terá que tomar diversas vacinas, pois qualquer infecção pode ser gravíssima", disse Adriana ao jornal O DIA.
Família deixou apartamento após agressão
Segundo Adriana, o homem morava a quatro apartamentos de distância. Embora afirme não ter recebido ameaças diretas, a convivência se tornou insustentável pela reação de parte dos moradores.
"Estávamos vivendo em um ambiente hostil. Vizinhos que o defendiam nos olhavam torto. Uma das testemunhas de defesa até trabalhava no mesmo local que eu e meu marido. Eram nossos amigos, mas preferiram defendê-lo", contou.
A mudança não aconteceu imediatamente. Enquanto organizavam a saída, os familiares enfrentaram meses de instabilidade. Adriana conta que o marido e o filho mais novo ficaram na casa do enteado dela, enquanto ela buscou moradias provisórias, incluindo aluguel por temporada. Os gatos da família permaneceram no imóvel e uma funcionária ia ao local para alimentá-los.
"Não tínhamos coragem de voltar para casa. Tivemos que vender nosso apartamento, mas, até conseguir, passamos por meses horríveis", lembrou.
"Estávamos vivendo em um ambiente hostil. Vizinhos que o defendiam nos olhavam torto. Uma das testemunhas de defesa até trabalhava no mesmo local que eu e meu marido. Eram nossos amigos, mas preferiram defendê-lo", contou.
A mudança não aconteceu imediatamente. Enquanto organizavam a saída, os familiares enfrentaram meses de instabilidade. Adriana conta que o marido e o filho mais novo ficaram na casa do enteado dela, enquanto ela buscou moradias provisórias, incluindo aluguel por temporada. Os gatos da família permaneceram no imóvel e uma funcionária ia ao local para alimentá-los.
"Não tínhamos coragem de voltar para casa. Tivemos que vender nosso apartamento, mas, até conseguir, passamos por meses horríveis", lembrou.
Mulher contesta tentativa de minimizar gravidade do caso
Adriana também se disse abalada com questionamentos sobre a gravidade das lesões e com argumentos que tentavam atribuir o quadro de saúde do marido a outros fatores. Para a família, o rompimento do baço e a hemorragia comprovam a violência do ataque. Ela relembrou que o episódio começou após Carmo ajudar uma pessoa em situação de rua. O vizinho teria se irritado com a presença do homem no condomínio e iniciado a discussão.
"Meu marido estava ajudando esse homem quando o vizinho perguntou se ele achava que era dono do prédio. Carmo respondeu que não era, mas que ele também não era. Foi o bastante para o homem descer com o cassetete e bater nele até ele cair desmaiado", contou.
Adriana afirmou ainda que, ao depor no processo, estava nervosa e não conseguiu relatar tudo o que considerava importante. Na época, a família era assistida pela Defensoria Pública e não conhecia o trâmite judicial.
"Meu marido estava ajudando esse homem quando o vizinho perguntou se ele achava que era dono do prédio. Carmo respondeu que não era, mas que ele também não era. Foi o bastante para o homem descer com o cassetete e bater nele até ele cair desmaiado", contou.
Adriana afirmou ainda que, ao depor no processo, estava nervosa e não conseguiu relatar tudo o que considerava importante. Na época, a família era assistida pela Defensoria Pública e não conhecia o trâmite judicial.
Justiça mantém prisão preventiva
A Justiça negou um novo pedido da defesa para substituir a prisão preventiva de Carlos Henrique por medidas cautelares alternativas. O Ministério Público se manifestou contra a soltura, e o juízo considerou que permanecem os motivos para manter a custódia, como a garantia da ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal.
A decisão destaca que o réu permanece foragido, apesar de ciente da acusação e representado por advogado constituído — o que reforça a necessidade da prisão e inviabiliza medidas alternativas.
O processo segue em tramitação. A audiência de instrução e julgamento está marcada para quarta-feira, 21 de outubro, às 16h, quando está previsto o encerramento dessa etapa. Carlos Henrique continua foragido, e as acusações serão examinadas no curso da ação.
A decisão destaca que o réu permanece foragido, apesar de ciente da acusação e representado por advogado constituído — o que reforça a necessidade da prisão e inviabiliza medidas alternativas.
O processo segue em tramitação. A audiência de instrução e julgamento está marcada para quarta-feira, 21 de outubro, às 16h, quando está previsto o encerramento dessa etapa. Carlos Henrique continua foragido, e as acusações serão examinadas no curso da ação.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 3 de outubro de 2024, no gatil de um condomínio na Gávea. Carmo cuidava dos animais quando foi agredido com golpes de cassetete pelo vizinho Carlos Henrique Macário Morais, segundo a denúncia.
Na ocasião, Adriana contou que o marido ajudava um homem em situação de rua que havia pedido dinheiro enquanto ele alimentava os gatos. O vizinho teria se irritado e iniciado a discussão.
Câmeras de segurança registraram a vítima cuidando dos animais, mas as imagens congelaram por cerca de um minuto. Quando a gravação voltou, o suspeito já deixava o local e a vítima aparecia caída, segurando a barriga. A esposa levantou a suspeita de que o equipamento possa ter sido manipulado.
Carmo foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas deixou a unidade. Na madrugada de 4 de outubro, deu entrada no Copa D’Or, onde passou por cirurgia em razão do trauma abdominal. Ele teve o baço rompido e precisou de internação no CTI.
Em outubro de 2024, a Justiça decretou a prisão preventiva de Carlos Henrique e o tornou réu por tentativa de homicídio, citando a gravidade da conduta e o risco à segurança da vítima e das testemunhas. Desde então, ele é considerado foragido.
Na ocasião, Adriana contou que o marido ajudava um homem em situação de rua que havia pedido dinheiro enquanto ele alimentava os gatos. O vizinho teria se irritado e iniciado a discussão.
Câmeras de segurança registraram a vítima cuidando dos animais, mas as imagens congelaram por cerca de um minuto. Quando a gravação voltou, o suspeito já deixava o local e a vítima aparecia caída, segurando a barriga. A esposa levantou a suspeita de que o equipamento possa ter sido manipulado.
Carmo foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas deixou a unidade. Na madrugada de 4 de outubro, deu entrada no Copa D’Or, onde passou por cirurgia em razão do trauma abdominal. Ele teve o baço rompido e precisou de internação no CTI.
Em outubro de 2024, a Justiça decretou a prisão preventiva de Carlos Henrique e o tornou réu por tentativa de homicídio, citando a gravidade da conduta e o risco à segurança da vítima e das testemunhas. Desde então, ele é considerado foragido.
A reportagem do jornal O DIA entrou em contato com a defesa do acusado por e-mail, às 18h40 desta quinta-feira (15), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral


