Tiro em Fred Bruno: polícia muda boletim de ocorrência que investiga deputado Marcelo Aguiar

A Polícia Civil de São Pulo incluiu nesta terça-feira, 20, o crime de lesão corporal no boletim de ocorrência que investiga o caso envolvendo o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), após um disparo acidental de arma de fogo em uma casa noturna na região do Itaim Bibi, em São Paulo. O apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte, foi atingido de raspão pelo disparo.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a alteração foi feita após a advogada de Fred comparecer à delegacia. Foi pedido um exame pericial ao IML para constatar as lesões sofridas pelo apresentador.

"Eu ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé ali, começou a latejar, começou a queimar, não tinha entendido muito bem o que tinha acontecido, mas eu estou bem, porém é algo muito sério", contou Fred em vídeo publicado nas redes sociais.

A Polícia Civil pediu autorização ao Tribunal de Justiça para investigar o deputado, exigência decorrente do foro por prerrogativa de função do parlamentar. O Estadão tenta contato com a defesa de Aguiar. O espaço segue aberto.

Segundo o registro da ocorrência, Aguiar aparentava estar embriagado e teria incomodado frequentadores da festa. Ele foi advertido por homens que estavam no local quando a confusão se formou. Durante a movimentação, o deputado caiu com a arma e houve um disparo.

A corporação investiga se o deputado cometeu importunação sexual contra mulheres e se o disparo foi intencional. Segundo relatos de testemunhas, o parlamentar teria "cantado" uma mulher que estava em um grupo de amigos no estabelecimento. Os investigadores apuram se a abordagem configura crime de importunação sexual.

A investigação também busca esclarecer como ocorreu o disparo durante o bate-boca entre o deputado e homens que estavam na casa noturna. Uma das linhas de investigação é verificar se alguém tentou pegar a arma de Aguiar durante a discussão e se essa movimentação provocou o tiro. Os investigadores ainda apuram quem efetuou o disparo.

A assessoria do deputado, por sua vez, afirmou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma "reação adversa", e que se envolveu em uma discussão. Em nota, negou que ele tivesse sido preso e informou que o parlamentar prestou esclarecimentos à polícia e foi liberado em seguida.