Governo quer ampliar novo pagamento do SUS

Ministro Padilha anunciou transição no Rio, vistoriou leitos do Hospital dos Servidores e entregou unidades móveis de atendimento

Reconstrução mamária supera retiradas pela primeira vez no SUS
Reconstrução mamária supera retiradas pela primeira vez no SUS -
O governo federal pretende substituir, nos próximos quatro anos, a atual tabela de remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS) por um novo modelo de pagamento por procedimentos. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda no Rio. A proposta está relacionada ao programa Agora Tem Especialistas, política pública criada pelo governo federal para ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias por meio de parcerias com a rede privada.

A iniciativa permite o credenciamento de clínicas, hospitais e entidades privadas para atender pacientes do SUS. O programa também prevê a utilização da estrutura de operadoras e prestadores de planos de saúde, com possibilidade de conversão ou compensação de débitos dessas empresas com a União em troca da realização de procedimentos para a rede pública.

Nesse modelo, os atendimentos podem ser utilizados para quitar dívidas tributárias vencidas ou gerar créditos para abater tributos a vencer, conforme as regras do programa. A compensação permite que as instituições ofereçam serviços ao SUS sem que o mecanismo dependa exclusivamente de pagamentos diretos do governo em dinheiro.

Segundo Padilha, cerca de 1,5 mil procedimentos já utilizam o novo formato de remuneração, com valores que podem chegar a três ou quatro vezes os previstos na tabela anterior. O modelo reúne diferentes etapas do tratamento, com o objetivo de garantir a continuidade da assistência e reduzir o tempo de espera dos pacientes.

O ministro também destacou o aumento da realização de procedimentos na rede pública. Segundo ele, o SUS realizou 15 milhões de cirurgias em 2025, e a previsão para 2026 é alcançar 16 milhões.

Entre os avanços citados está a reconstrução mamária após mastectomias. De acordo com Padilha, pela primeira vez, o número de reconstruções superou o de retiradas de mama. A ampliação do novo modelo de remuneração, acrescentou, depende do aumento dos recursos destinados à saúde.

Hospital dos Servidores amplia capacidade de atendimento

Durante a agenda, Padilha visitou a nova ala do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE), que recebeu nove leitos de retaguarda pós-operatória e 12 de enfermaria clínica.

O presidente da HU Brasil, Arthur Chioro, destacou a ampliação da estrutura e a abertura de novos espaços para internação. Segundo ele, o hospital passou de 269 leitos, em dezembro de 2025, para 435 em outubro de 2026.

“Hoje nós estamos vivendo aqui um momento muito especial. O Hospital dos Servidores entrega uma nova CTI, nove leitos cirúrgicos para retaguarda, fundamentalmente cirúrgica, e mais 12 leitos de internação clínica”, afirmou Chioro.

Os novos leitos de terapia intensiva ocupam a antiga ala presidencial da unidade. Para o presidente da HU Brasil, a estrutura permite oferecer assistência de qualidade e humanizada, além de contribuir para a formação de profissionais.

“Eles permitem que os pacientes tenham não só um atendimento de altíssima qualidade, mas também de forma muito humanizada e, ao mesmo tempo, propiciam as condições de ensino. Afinal de contas, se trata de um hospital universitário que tem um papel muito importante”, acrescentou.

Padilha ressaltou que a ampliação faz parte de um processo de integração dos hospitais e de qualificação dos serviços oferecidos à população. A meta é reduzir as filas, ampliar a assistência e fortalecer a formação de especialistas para o SUS.

Entre as melhorias realizadas no HUSE estão a reativação de leitos, a ampliação da estrutura cirúrgica e a recuperação do setor de quimioterapia. Em julho, o hospital recebeu um tomógrafo adquirido por R$ 2,1 milhões. A unidade também ganhou novos equipamentos médico-hospitalares, mobiliário e recursos tecnológicos.

O ministro afirmou ainda que o governo federal investiu R$ 2,6 bilhões na recuperação dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro. Segundo ele, as intervenções permitiram reabrir setores que estavam fechados e ampliar a capacidade de atendimento. A intenção é consolidar as unidades como referências para o SUS.

Rio recebe 15 unidades móveis para atendimento nas ruas

A programação também incluiu a vistoria de 15 Unidades Móveis de Rua (UMRs), destinadas às equipes de Consultório na Rua. Os veículos receberam investimento de R$ 5,4 milhões e serão utilizados no atendimento de pessoas em situação de rua diretamente nos territórios onde vivem.

As unidades contam com estrutura para consultas médicas e de enfermagem, vacinação, curativos, testes rápidos, acompanhamento pré-natal e exames preventivos. Também permitem ações de saúde mental e orientação sobre métodos contraceptivos.

Padilha destacou que a iniciativa busca facilitar o acesso à assistência, levando os profissionais até os locais onde estão os pacientes, em vez de depender exclusivamente do deslocamento até hospitais ou unidades básicas.

“Essas pessoas não são invisíveis. São pessoas que produzem, têm família, têm uma história e precisam do cuidado da saúde para que possam viver melhor”, declarou.

Além da capital, outros municípios fluminenses também deverão receber veículos, totalizando 41 unidades previstas para o estado. Entre janeiro e agosto de 2026, as equipes de Consultório na Rua contabilizaram 19.738 atendimentos no Rio de Janeiro, dos quais 13.937 ocorreram na capital.

Padilha critica proposta de cortes na saúde

O ministro da Saúde, criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao comentar a proposta de cortes de R$ 250 bilhões no orçamento e a defesa do modelo de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein como referência para a saúde pública.

“O padrão do Flávio Bolsonaro na saúde é o padrão do apagão dos hospitais federais do Rio de Janeiro”, afirmou Padilha durante visita ao Hospital Federal dos Servidores do Estado, nesta quarta-feira (21).

O ministro questionou a possibilidade de reproduzir o padrão de uma instituição privada diante da previsão de redução de recursos para áreas essenciais. Segundo ele, o atendimento oferecido pelo Einstein custa cerca de R$ 7 bilhões por ano.

“O que é anunciado hoje pelo candidato de oposição que se diz inspirado pela tesoura do Milei é um corte de 250 bilhões de reais no orçamento. Ou seja, não existe esse corte sem cortar da saúde e da educação, os principais alvos”, declarou.

Padilha também defendeu a preservação dos recursos destinados à formação médica e ao financiamento estudantil. Ele destacou iniciativas como o Fies, o Prouni e as bolsas oferecidas por instituições participantes do Mais Médicos para ampliar o acesso ao ensino superior.

Durante a coletiva, o ministro ainda citou investimentos de R$ 2,6 bilhões na recuperação dos seis hospitais federais do Rio, com ampliação de atendimentos, reabertura de setores e modernização de equipamentos.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral