O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou na quinta-feira novamente que não encontrou indícios de que as 13 mortes investigadas na capital e na Região Metropolitana tenham sido cometidas por uma mesma pessoa. Segundo Nico, cada caso é apurado individualmente, e até o momento não foram identificadas semelhanças que indiquem a atuação de um possível serial killer.
"Até agora, não encontramos indícios de que esses 13 casos tenham sido praticados pela mesma pessoa", afirmou Nico na quinta-feira, em vídeo divulgado após uma reunião com integrantes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com ele, a polícia está reunindo informações das diferentes investigações para verificar possíveis conexões entre as mortes. "Nenhuma hipótese é descartada", ressaltou.
Nico também afirmou que as investigações já identificaram suspeitos em alguns dos casos e que há prisões preventivas decretadas. "Cada caso tem sua investigação e o seu suspeito, e já temos prisão preventiva decretada em alguns", declarou.
Segundo a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), as apurações apontam, até o momento, para diferentes motivações. Entre as situações investigadas estão crimes sexuais e casos relacionados ao tráfico de drogas.
Ele mencionou ainda uma morte ocorrida em São Paulo cujo envolvimento com o tráfico de drogas teria ocorrido em outro Estado. A polícia busca verificar se existe alguma relação entre os episódios.
O delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian, explicou que as ocorrências registradas na capital e na área atendida pelo Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro) estão sendo investigadas separadamente, enquanto as equipes analisam possíveis coincidências. "Com a compilação de todas as investigações, estamos checando também eventuais semelhanças entre os casos que ainda não foram encontradas", afirmou.
Polícia aguarda laudos de mortes recentes
Nico também falou sobre os dois casos registrados nesta quinta-feira. Segundo ele, uma das pessoas encontradas mortas era um homem em situação de rua, sem sinais de violência. A avaliação inicial é de morte por causas naturais.
No outro caso, envolvendo uma mulher, a polícia considera a possibilidade de ingestão de alguma substância, mas ainda aguarda os resultados dos laudos para esclarecer as circunstâncias da morte.
Apesar de não ter identificado elementos que apontem para a atuação de um assassino em série, a Polícia Civil afirma que continuará analisando os casos em conjunto para identificar eventuais conexões. "Estamos trabalhando muito nisso", disse Nico.
A Polícia Civil de São Paulo investiga ao menos nove mortes com traços de execução ocorridas em um intervalo de 30 dias em diferentes regiões da cidade de São Paulo e região metropolitana. Os casos, alguns deles marcados por esquartejamentos e desovas de corpos em sacos pretos, foram registrados do começo de setembro em diante.
Apesar de descartar a atuação de serial killer, a polícia ainda apura elo entre as possíveis execuções em série com nomes ligados ao chamado "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC), espécie de Justiça paralela da facção.
Em pelo menos sete casos as vítimas já foram identificadas. Agora o DHPP busca avançar na identificação de suspeitos e no esclarecimento das possíveis motivações. "Entre as linhas investigadas estão, em algumas ocorrências, hipóteses relacionadas a vingança ou justiçamento", afirma a pasta.

