Decisão de ministro do TSE impede suspensão do canal ‘Exército do Lula’

Floriano de Azevedo Marques atendeu ao pedido da campanha de Lula

Nunes Marques permitiu que canal voltasse desde que fosse registrado como comunicação de campanha
Nunes Marques permitiu que canal voltasse desde que fosse registrado como comunicação de campanha -

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta sexta-feira (23) que o canal de WhatsApp “Exército do Lula” não poderá ser suspenso ou ter seu funcionamento restringido por uma decisão administrativa da Presidência da Corte. A medida atende parcialmente a um mandado de segurança preventivo apresentado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

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Com a decisão, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, deverá se abster de utilizar suas atribuições administrativas para determinar a retirada do canal do ar ou limitar suas funcionalidades e seu alcance. Uma eventual restrição, no entanto, ainda poderá ocorrer por meio de uma decisão judicial.

A determinação vale até que o plenário do tribunal se manifeste sobre o assunto em um processo judicial. O tema também é discutido em uma ação de investigação judicial eleitoral que tramita na Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral.

Na decisão, Floriano afirmou considerar concreto o risco de uma nova suspensão do canal antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O ministro citou um despacho da Presidência do TSE, publicado na quinta-feira (22), que adiou a análise de pedidos relacionados ao funcionamento do grupo.

Segundo Floriano, as solicitações apresentadas têm como objetivo final suspender o canal. O ministro avaliou que uma eventual retirada do ar às vésperas da votação, envolvendo uma estrutura com milhões de participantes, poderia gerar instabilidade no processo eleitoral e ampliar a desconfiança em relação à Justiça Eleitoral.

O magistrado, porém, ressaltou que a decisão não pressupõe que a Presidência do TSE planeje adotar medidas unilaterais ou agir de surpresa. Segundo ele, a intenção é delimitar as competências dos integrantes da Corte e reforçar a transparência e a confiança na atuação da Justiça Eleitoral.

Pente-fino foi determinado após pedido de Flávio Bolsonaro



A decisão ocorre um dia depois de Kassio Nunes Marques determinar uma análise detalhada das publicações do canal “Exército do Lula”, atendendo a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.

A campanha de Flávio solicitou providências diante de suspeitas de possíveis ações coordenadas para ampliar a circulação de conteúdos políticos na internet. A determinação do presidente do TSE prevê a apresentação de informações técnicas sobre o funcionamento do canal e possíveis mecanismos de amplificação de publicações.

O “Exército do Lula” foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e reúne apoiadores do presidente em um canal de WhatsApp utilizado para divulgar conteúdos políticos e mensagens relacionadas à campanha eleitoral. 

 

Campanha de Lula recorreu para evitar nova suspensão


Após a decisão de Nunes Marques, a campanha de Lula apresentou um mandado de segurança preventivo para impedir que a Presidência do TSE voltasse a suspender ou restringir o canal por meio de uma medida administrativa.

Ao analisar o pedido, Floriano de Azevedo Marques concedeu parcialmente a liminar e estabeleceu que uma eventual restrição ao funcionamento do “Exército do Lula” deverá ser determinada em processo judicial, e não apenas com base nas atribuições administrativas da Presidência do tribunal.

A decisão não impede que a Justiça Eleitoral determine medidas contra o canal caso haja fundamento jurídico e decisão no procedimento adequado. O que fica vedado, nos termos da liminar, é o uso da competência administrativa da Presidência para suspender, retirar do ar ou limitar o funcionamento do grupo sem uma decisão judicial do plenário nesse sentido.