Eleitores apontam prioridades e expectativas para o próximo governo

Entrevistados destacaram o desejo de um Brasil melhor, mas apresentaram visões distintas sobre os caminhos para alcançar esse objetivo

Juarez e Mariana são eleitores do Lula
Juarez e Mariana são eleitores do Lula -
Eleitores que foram às urnas neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais, citaram diferentes expectativas para o próximo governo. Apesar das divergências políticas entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os entrevistados destacaram o desejo de um Brasil melhor, ainda que com visões distintas sobre os caminhos para alcançar esse objetivo.
Na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, o engenheiro João Luiz de Oliveira, de 70 anos, destacou a segurança pública e jurídica como prioridades. Para ele, as mudanças devem ocorrer gradualmente, e a expectativa de um país melhor vai além do próximo mandato.
"No primeiro dos quatro anos, não tem o que esperar muito porque vai ter que consertar tudo que fizeram de errado. Quem não tem consciência já espera algo, mas não é assim. As coisas são devagar. A nossa esperança não é nem para o Flávio, quem sabe para o Tarcísio (governador de São Paulo) e depois para o Nikolas (deputado por minas). Acho que essa é a sequência para a gente poder ter um país melhor (...) Não temos segurança jurídica nenhuma. Isso não atrai investimento para o país. A Justiça tem que ser apartidária, que respeite a Constituição", disse.

A professora Virgínia Cordeiro Gomes, de 63 anos, afirmou que espera mudanças na condução do país e defendeu investimentos em educação e economia. Favorável a Flávio Bolsonaro, ela também cobrou atenção a diferentes setores e disse que o próximo governo deve priorizar os interesses do Brasil.
"A expectativa é de mudança geral, tirar essa raça do PT urgentemente. Eles afundaram com o país. Já deu o que tinha que ter dado. Agora é Flávio Bolsonaro. Espero que ele faça um bom governo, que olhe para todos os setores, que não fique soltando verbinha para aqui ou para ali, que ele realmente se associe a boas pessoas porque a gente está torcendo para ele. É uma pessoa boa. Se não servir, daqui a quatro anos a gente muda. A gente tem que pensar no nosso país", afirmou.

No mesmo colégio eleitoral, o gerente operacional Juarez, de 58 anos, por sua vez, demonstrou apoio ao Lula.

"Não temos dúvidas que o Lula vai ganhar. Espero que ele dê continuidade a tudo que tem sido feito pela educação, pelo povo brasileiro, pelo SUS e pela fome. A gente precisa melhorar, óbvio, mas se o Flávio entrar acho que acaba com tudo isso, todo esse propósito vai embora", destacou.

A estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mariana, de 28 anos, destacou a importância da universidade pública, das políticas de cotas e da permanência dos alunos no ensino superior. Ela também defendeu a continuidade de políticas voltadas à saúde pública e aos direitos das mulheres.
"É pela universidade pública, pela permanência dos estudantes no ensino superior, pelo SUS, pelas crianças, pelos idosos, pelos jovens e pelas mulheres. Os direitos das mulheres são importantes, e a gente precisa continuar lutando. Esperamos essa virada. Por mais que seja inédita, a gente vai conseguir. Temos esperança", afirmou.
No Instituto Cultural Amendoeira, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, os eleitores dos diferentes candidatos também esperam por melhorias.

O arquivista Leonardo Lessa, 37 anos, por exemplo, estava acompanhado da mulher, Nathalia Lessa, 35 anos, e afirmou que independente do governo espera que haja consciência social.

"Eu espero primeiro um compromisso social. Eu acho muito importante que o novo presidente tenha consciência social, que pense no mais pobre, no menos favorecido. Principalmente em questão de políticas públicas com educação, saúde, essas coisas que a gente precisa muito. E a gente não consegue ver, de uma forma geral, quando a gente consegue comparar os planos de governo", disse.

A empreendedora Patrícia Lopes, de 51 anos, foi votar acompanhada do marido e do pai, Adalberto Oliveira, de 92. Ela defendeu que o próximo presidente governe para todos, sem divisões políticas, e priorize a economia e as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
"Eu espero que ele governe para todos, que ele junte todo mundo para que tudo possa ser restituído, para que não haja mais divisão. Porque tudo que ele (o pai) me ensinou foi o seguinte: um dia virá alguém que irá dividir toda a nação. E a gente não quer divisão, pelo contrário (...) Espero que todos possam estar juntos, unidos, independente de gênero, credo... apesar de eu ser evangélica, a gente não se importa com isso. A gente entende que precisa de política pública, mas a gente entende que não tem que haver corrupção, que não tem que haver mamata, que não tem que haver tantas coisas assim também", explicou.
Os resultados das eleições serão divulgados a partir das 17h.