Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que a determinação teve como fundamento uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, antes da divulgação do resultado da eleição presidencial. Na entrevista, concedida a um programa dos Estados Unidos, Eduardo defendeu que o senador deixasse o país caso perdesse a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio negou que tenha manifestado intenção de sair do Brasil e criticou a decisão, que classificou como política. Apesar das críticas, afirmou que pretende entregar os documentos e contestar a medida judicial.
“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou o senador, que também anunciou a intenção de organizar a oposição ao próximo governo e pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa de Lula. As acusações eleitorais foram feitas pelo próprio parlamentar.
O DIA procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro por WhatsApp às 19h30 desta segunda, mas não obteve retorno. A reportagem também tenta localizar a defesa de Willer Tomaz. O espaço segue aberto para manifestações.
Decisão ocorre em meio a investigações no STF
A medida atribuída a Moraes ocorre enquanto Flávio é citado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas relacionadas ao setor de apostas e pagamentos.
A investigação procura esclarecer movimentações financeiras, vínculos comerciais e possíveis mecanismos de ocultação de recursos. Entre os elementos analisados pela Polícia Federal está uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, associada a Tomaz, na qual Flávio teria aparecido com perfil de acesso identificado como “master”. Os investigadores buscam determinar a natureza desse vínculo e se houve movimentação financeira realizada pelo senador.
A apuração também considera operações que teriam movimentado aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 6 bilhões ligados ao advogado, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial e de medidas que atingem empresas associadas a ele.
Flávio Bolsonaro permanecerá no Senado até fevereiro de 2027, quando termina seu mandato. Mesmo após deixar o cargo, os inquéritos poderão continuar no STF, a depender do enquadramento jurídico dos fatos investigados.
Em março de 2025, o Supremo firmou entendimento de que investigações e ações penais relativas a crimes supostamente cometidos durante o exercício de um cargo e em razão das funções desempenhadas podem permanecer na Corte após o fim do mandato.

