Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos, afirma aliado de Trump

Senador havia sido intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal um dia antes; corporação investiga saída do país

Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos após perder a eleição
Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos após perder a eleição -
Após perder as eleições e um dia depois de ter sido intimado a entregar seus passaportes, Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos, nesta terça-feira (27). Um advogado mexicano ligado ao movimento "Make America Great Again", de Donald Trump, confirmou a chegada do senador ao país norte-americano.
De acordo com Simón Levy, a fuga de Flávio ganhou um nome: "Operação Alba". Nas redes sociais, o aliado de Donald Trump anunciou a chegada do senador e detalhou os próximos passos em solo estadunidense.
"Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula", escreveu no X, antigo Twitter.
Mais tarde, voltou a falar sobre a fuga do senador e detalhou os plano. "Flávio chega aos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro sai do Brasil e, liderará a resistência a partir dos Estados Unidos. Washington acelera na Venezuela, Cuba e México, e aperta o Brasil onde mais dói: o dinheiro. Qual é o plano?", disse. Na publicação, ele também compartilhou o link de seu site.
Segundo o advogado, a ida de Flávio para os Estados Unidos tem a intensão de apertar "o Brasil onde mais dói: no bolso". "Lula venceu com 4,4 milhões de votos . Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e, segundo minhas fontes, liderará a resistência a partir dos Estados Unidos. Washington acelera na Venezuela, Cuba e México, e aperta o Brasil onde mais dói: no bolso", diz no site.
O portal, que traz uma análise das eleições brasileiras e como a virada de Lula pode impactar nas presidenciais mexicanas, ainda conta com frases como "Lula venceu no Brasil. Ele não venceu no continente", "Washington perdeu uma peça importante e não vai se recuperar tão facilmente. Vai acelerar o ritmo" e "a direita brasileira perdeu a cadeira, não a força".
Na madrugada desta terça-feira, o site argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina e, de Puerto Iguazú, pegado um avião particular com destino aos EUA.
O filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL) estava desaparecido desde a manhã desta terça-feira. A última mensagem teria sido enviada ao senador Rogério Marinho (PL), que foi coordenador de campanha de Flávio, às 8h, em que dizia estar “esfriando a cabeça”, mas não respondeu se havia deixado o Brasil.
A Polícia Federal, que apura a fuga, não identificou registros da saída de Flávio Bolsonaro do país em seus sistemas migratórios. Os agentes investigam se o senador adotou algum método ilegal para deixar o Brasil por fora do controle da corporação.

A Direção Nacional de Imigração do governo argentino também afirmou não ter registrado qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina.
"Diante da repercussão na mídia sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, as autoridades iniciaram os procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação. Por fim, constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro", diz o órgão
A fuga de Flávio Bolsonaro acontece um dia depois dele ser intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal. A medida, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, faz parte do processo que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz por lavagem de dinheiro.
Após a intimação, o senador foi às redes sociais para negar que tenha manifestado intenção de sair do Brasil e criticou a decisão, que classificou como política. O senador não cumpriu o prazo de 24 horas determinado pelo STF e não entregou os passaportes à Polícia Federal. No início da tarde, a corporação realizou o cancelamento dos documentos em seu sistema de controle. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão aberto contra ele.