O Tribunal Superior do Trabalho (TST) aplicará punições a empregadores que discriminarem funcionários por suas escolhas nas urnas. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (28) pelo empresário e fundador do portal ICL, Eduardo Moreira, na esteira de casos de assédio eleitoral contra trabalhadores que declaram voto no presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com Moreira, que citou uma conversa com o presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a resposta do tribunal será "à altura da covardia que está sendo realizada". Dentre as medidas antecipadas, está a criação de forças-tarefas para a punição de empregadores e reintegração de funcionários demitidos por suas escolhas eleitorais.
Ainda segundo Moreira, a Corte analisa criar uma "lista-suja" com as empresas que cometerem essas práticas, prevendo punições como a proibição da participação em licitações públicas.
O anúncio ocorre no mesmo dia em que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em ação conjunta com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realiza uma coletiva de imprensa para detalhar ações de enfrentamento à discriminação, ao assédio eleitoral e às demissões de trabalhadores por motivações políticas.
A coletiva tem como objetivo apresentar medidas de prevenção e combate a práticas que violam os direitos trabalhistas e políticos no ambiente de trabalho, além de orientar a população sobre como denunciar possíveis irregularidades.
A coletiva tem como objetivo apresentar medidas de prevenção e combate a práticas que violam os direitos trabalhistas e políticos no ambiente de trabalho, além de orientar a população sobre como denunciar possíveis irregularidades.
As iniciativas ocorrem em meio a denúncias de assédio eleitoral após o fim do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25). Depois do resultado favorável a Lula, diversas postagens nas redes sociais incentivaram a retaliação de empregadores contra funcionários que apoiaram o petista.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que recebeu, da 0h de segunda (26) até as 17h45 desta terça-feira (27), 530 denúncias relacionadas a assédio eleitoral. Um dos casos de maior repercussão foi o da deputada estadual reeleita Índia Armelau (PL), a mais votada no Rio de Janeiro no último pleito, com 248.504 votos.
No dia seguinte às eleições, a parlamentar publicou uma mensagem nas redes social incentivando a demissão de funcionários que declararam voto em Lula. "Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez 'L'. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários", diz a publicação.
Armelau foi acusada de assédio eleitoral pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ). Em nota, ela disse que jamais teve qualquer preconceito contra quem quer que seja e defende que os posicionamentos políticos dos trabalhadores sejam respeitados. O texto destaca, entretanto, que a deputada se preocupa "com situações de sabotagem às próprias empresas".
MTE expressa preocupação após eleições
O ministro do Trabalho Luiz Marinho realizou, na tarde desta quarta-feira, uma coletiva de imprensa no MTE, e expressou sua preocupação do momento pós-eleições sobre a violência e assédio eleitoral eleitoral no trabalho, além de explicar como a pasta está se organizando como Estado para proteção efetiva do trabalhador.
A reunião contou com representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), Advocacia-Geral da União (AGU), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ministério Público Eleitoral (MPE) e Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Segundo Luiz, o órgão não pode aceitar que o trabalhador seja vítima de uma ilegalidade cometiva por ''maus empresários''. ''Se trata de buscar e enquadrar os maus exemplos para que seja a última eleição que tenha esse tipo de violência contra o trabalhador. Não podemos aceitar que o trabalhador seja pressionado, vitimado, por demissão, ou por não contratação, ou por qualquer outra violência que ele venha sofrer no local de trabalho por ter a opção política seja qual ela seja'', afirma
O responsável pela pasta trabalhista informa do direito constitucional que garante a opção política individual para os trabalhadores. ''Aqui não estamos falando de colaração A ou B. Nós estamos falando que o trabalhador tem o direito democrático, garantido pela Constituição Federal, de ter sua opção política. Qualquer que seja. Portanto não cabe assédio para lá ou para cá'', destacou.
Como denunciar
O ministro explicou que o trabalhador deverá seguir com a denúncia por meio de seu sindicato. Logo após, deve seguir pelos dois canais tanto do MTE quanto do Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo Luiz Marinho, assim que a denuncia chegar, será avaliada com toda a prioridade.
Em seguida, caso a acusação seja constatada, as empresas serão contatadas para uma mesa de conciliação, sendo encaminhado ao Ministério do Trabalho ou Advocacia Geral da União (AGU) para eventuais providencias a partir da fiscalização. ''É importante lembrar que tudo está assegurado pela Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995, que proíbe práticas discriminatórias e limitativas no acesso ao emprego ou na sua manutenção no Brasil'', informou.
Redes sociais
O responsável do ministério do Trabalho comunicou também que a pasta irá trabalhar para a exclusão de publicações nas redes sociais. ''É inadimissível que as plataformas continuem agindo de forma ilegal no nosso país'', falou.
Ele destacou também que o órgão criará uma lista suja para as eventuais empresas que cometerem, comprovadamente, o assédio aleitoral. ''Além das providências, teremos uma lista para mostrarmos à sociedade que existem empresas cometendo ilegalidades contra o trabalhador'', disse.
Marinho informou que as empresas que cometerem essas ilegalidades, poderão sofrer sanções financeiras legais no Banco Central (BC), que afetará a linha de crédito. ''Portanto, o Banco Central informará a toda rede financeira do país que com essa empresa, ela será uma empresa que entra na restrição da tomada de crédito público'', explicou.
* Reportagem dos estagiários Victor Louro e Rodrigo Maciel, sob supervisão de Larissa Amaral.

