Advogado entrega passaporte de David, do Vasco, à polícia

Investigado por tráfico interestadual de drogas e armas, lavagem de dinheiro e ligação com o CV, o atacante não compareceu à delegacia

Passaporte de David, do Vasco, foi entregue na 14ªDP (Leblon) pelo advogado nesta sexta-feira (30)
Passaporte de David, do Vasco, foi entregue na 14ªDP (Leblon) pelo advogado nesta sexta-feira (30) -
O passaporte do jogador do Vasco, David Corrêa da Fonseca, conhecido como DVD, foi entregue por seu advogado na 14ª DP (Leblon), na manhã desta sexta-feira (30), após determinação da Justiça. Investigado por tráfico interestadual de drogas e armas, lavagem de dinheiro e ligação com o Comando Vermelho, o atacante não compareceu à delegacia.


Além da proibição de deixar o país, o jogador também deverá cumprir outras medidas cautelares, como não manter contato com outros investigados e testemunhas e comparecer periodicamente à Justiça.

O advogado do atleta, Silmar Junior, deixou a delegacia por volta das 10h30. Na ocasião, explicou que o jogador não compareceu à unidade porque atuou na noite de quinta-feira (29), na partida contra o Flamengo, no Estádio Nilton Santos.

Segundo o delegado Alexandre Neto Cardoso, a 14ª DP foi responsável por dar suporte a uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Espírito Santo. Ele explicou que a unidade comunicou ao jogador, na quinta-feira (29), a necessidade de comparecer na distrital.

"Todos esses fatos serão relatados e comunicados à Justiça competente que determinou as medidas. A partir daí, eles vão tomar o caminho necessário. Acredito que o advogado apresentando o passaporte com a procuração possa suprir, mas não necessariamente. Isso cabe a mim e à Justiça verificar se isso por si só já é suficiente", explicou.

O delegado também afirmou que ainda não é possível determinar se a ausência do jogador na delegacia poderá trazer algum problema perante a Justiça. Segundo ele, o artigo 320 do Código de Processo Penal prevê que a entrega do passaporte e a ciência das medidas sejam atos pessoais, mas a situação será analisada pelo juiz responsável pelo caso.

"Eu não posso falar que há uma possibilidade. O artigo 320 do Código de Processo Penal afirma que seria personalíssima essa entrega do passaporte e tomar ciência dessas medidas. Mas, como existem entendimentos jurídicos diversos, é necessário que o juiz analise e verifique se houve ou se há alguma irregularidade na apresentação do passaporte por seu advogado. Cabe à polícia apenas cumprir a determinação judicial e remeter para o juiz competente aquilo que foi documentado na unidade policial."

As investigações apuram os crimes de organização criminosa armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico e comércio ilegal de armas. De acordo com o delegado, as penas previstas para os crimes, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão.

"Todos os outros investigados tiveram como consequência da denúncia, a prisão preventiva. Excepcionalmente no caso do David, o juiz determinou uma medida cautelar diversa da prisão. Como já tinha dito, é uma medida menos gravosa, que tem por objetivo garantir a investigação, mas no caso específico, o processo, a eficácia do processo. Não vou afirmar que há uma possibilidade dele fugir, mas se o juiz determinou por conta da representação da delegacia isso significa que é importante a entrega do passaporte para que evite ou expurgue qualquer outra possibilidade dele fugir ou realizar uma conduta que possa eventualmente causar um problema para a instrução probatória", finalizou.

Defesa nega acusações

Em nota, a defesa de David negou as acusações e reafirmou a confiança na inocência do jogador. O advogado também destacou que a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva e de bloqueio de imóveis e ativos financeiros.

"Os pedidos de prisão preventiva, bloqueio de imóvel e de ativos financeiros foram negados pela Justiça, circunstância que reforça a posição da defesa quanto à fragilidade dos elementos apresentados contra o atleta. O recebimento da denúncia não representa condenação, mas apenas um juízo preliminar sobre fatos que serão esclarecidos no curso do processo. David segue colaborando com a Justiça, como sempre fez desde o início. Cumprirá as determinações judiciais e, ao final, restará demonstrada sua total inocência, com a consequente absolvição", afirmou em nota.