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Deputados do PT pedem ao STF prisão preventiva de Flávio Bolsonaro

Petição enviada a Alexandre de Moraes aponta descumprimento de prazo para entrega de passaportes e pede investigação sobre saída do senador do Brasil

Por Leonardo Brito

Publicado em 27/10/2026 18:31:41
Candidato a Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, na sede da emissora, região sul de São Paulo, neste domingo (18).
Deputados do PT pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva do senador e candidato derrotado à presidência da república, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sob a alegação de descumprimento de medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi protocolado nesta terça-feira (27), em uma notícia de fato assinada por Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Ana Elisa Santos, deputada federal eleita por Minas Gerais.
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Na petição, os parlamentares afirmam que Flávio não entregou os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo de 24 horas estabelecido pela decisão judicial. Segundo o documento, o prazo terminou às 11h desta terça-feira, sem que os documentos fossem apresentados.

As medidas cautelares, cumpridas pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira (26), incluíram o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, a proibição de deixar o território nacional e a restrição de contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito.

A investigação, conforme descrito na petição, apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os parlamentares também mencionam medidas patrimoniais determinadas contra Tomaz, incluindo o bloqueio de bens e valores de até R$ 6 bilhões.

O pedido de prisão também menciona uma reportagem publicada pelo portal argentino Infobae na madrugada desta terça-feira. Segundo o veículo, Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina e viajaria aos Estados Unidos em um jato executivo com saída prevista de Puerto Iguazú. 
Um advogado mexicano ligado ao movimento "Make America Great Again", de Donald Trump, confirmou a chegada do senador ao país norte-americano. De acordo com Simón Levy, a fuga de Flávio ganhou um nome: "Operação Alba". Nas redes sociais, o aliado de Donald Trump anunciou a chegada do senador e detalhou os próximos passos em solo estadunidense.

"Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula", escreveu no X, antigo Twitter.

A petição afirma que a Polícia Federal acionou autoridades argentinas para verificar a informação. Também relata que advogados e aliados do senador disseram não conseguir contato com ele desde o dia anterior.

A peça também menciona dados públicos de rastreamento aéreo que indicavam que a aeronave citada na reportagem havia pousado em Puerto Iguazú na noite de segunda-feira e permanecia no aeroporto na manhã seguinte, sem registro de decolagem no horário inicialmente divulgado.

Além da prisão preventiva, os deputados pedem que Alexandre de Moraes determine a localização do senador, cobre informações da Polícia Federal e intime a defesa a informar onde ele está e a entregar os passaportes físicos.

Os parlamentares também solicitam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste com urgência sobre a possibilidade de prisão. Caso a medida seja decretada, pedem a inclusão do nome de Flávio na difusão vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional para localizar pessoas procuradas e viabilizar sua detenção conforme as regras aplicáveis.

A petição solicita ainda cooperação jurídica com a Argentina para obter registros de voo, informações migratórias e a identificação dos passageiros e do responsável pela contratação da aeronave mencionada.

Como alternativa à prisão, caso o senador seja localizado no Brasil e o ministro considere suficientes outras medidas, os autores sugerem monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, além de comparecimento periódico à Justiça.
A suposta fuga acontece um dia depois de Flávio ser intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal. A medida, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, faz parte do processo que investiga o senador e o advogado Willer Tomaz por lavagem de dinheiro.

Nas redes sociais, o senador disse que foi intimado pela PF no momento em que deixava a casa do pai.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que a determinação teve como fundamento uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, antes da divulgação do resultado da eleição presidencial. Na entrevista, concedida a um programa dos Estados Unidos, Eduardo defendeu que o senador deixasse o país caso perdesse a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio negou que tenha manifestado intenção de sair do Brasil e criticou a decisão, que classificou como política. Apesar das críticas, afirmou que pretende entregar os documentos e contestar a medida judicial.

“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.

O senador, no entanto, não cumpriu o prazo de 24 horas determinado pelo STF e não entregou os passaportes à Polícia Federal. No início da tarde, a corporação realizou o cancelamento dos documentos em seu sistema de controle. Apesar do descumprimento, não é possível considerá-lo foragido, porque não há mandado de prisão contra o senador.
A reportagem de O DIA entrou em contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro. O espaço segue aberto para manifestações.