As polícias Civil e Militar realizam, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação para combater e prender uma quadrilha envolvida em roubos e clonagens de veículos, na comunidade Jardim Novo, em Realengo, Zona Oeste do Rio. São 360 agentes participando da ação, que busca cumprir oito mandados de prisão preventiva. Até o momento, seis homens foram presos, sendo um alvo da ação. Um suspeito morreu baleado.
Durante a atuação das equipes na região, houve intensos tiroteios. Em um muro na localidade, criminosos escreveram uma mensagem ameaçando os policiais: "Subir vai morrer, polícia. 'Tá' sendo visto." Agentes encontraram peças de veículos dentro de uma van. Drogas também foram apreendidas.
Tiroteios são registrados durante operação na comunidade Jardim Novo, em Realengo Crédito: Divulgação / Polícia Civil https://t.co/06XmdOV6UO
— Jornal O Dia (@jornalodia) November 6, 2026
A segunda fase da Operação Sinal Oculto mira suspeitos de roubos, adulterações e vendas de automóveis de origem ilícita. As investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) começaram após a identificação de perfis em redes sociais que anunciavam carros de alto valor por preços muito abaixo do praticado no mercado.
Com a análise do esquema de comercialização de veículos clonados, a apuração revelou que existe uma estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas, suporte financeiro e possíveis conexões com o tráfico de armas de uso restrito.
De acordo com a especializada, o grupo atuava em diferentes etapas. Além de receber e revender veículos roubados, os investigados pesquisavam automóveis regulares e utilizavam seus dados identificadores para adulterar os carros. Posteriormente, os automóveis eram anunciados nas redes sociais com aparência de legalidade, atraindo compradores.
As investigações também apontaram indícios de que os integrantes da quadrilha recebiam encomendas de modelos específicos de veículos. Segundo a Polícia Civil, o fato pode indicar uma ligação direta entre a demanda do mercado clandestino e a prática de roubos de automóveis na região.
A primeira fase da operação foi realizada em 27 de agosto, quando policiais civis cumpriram 37 mandados de busca e apreensão e prenderam um homem apontado como um dos principais integrantes do esquema. Na ação, também realizada na comunidade Jardim Novo, um policial civil acabou sendo baleado no rosto. O disparo transfixou sua face, provocando ferimentos graves.
O aprofundamento das investigações revelou que a atuação do grupo ode ir além do esquema de clonagem e comercialização de veículos roubados. De acordo com o apurado, as análises dos materiais eletrônicos e de registros de comunicação permitiram identificar indícios de participação dos integrantes com o comércio clandestino de armas.
Os investigadores analisaram mais de 19 mil mensagens e mais de 2 mil áudios, identificando referências a negociações de fuzis AK-47, armamentos de calibre .50 e pistolas de uso restrito. Além disso, os agentes encontraram registros de suspeitos portando armamento pesado.
A ação conjunta das polícias Civil e Militar busca desarticular a estrutura criminosa, responsabilizar seus integrantes e aprofundar as investigações sobre as conexões entre roubos de veículos, adulteração de identificadores, comercialização clandestina pela internet e tráfico de armas.
A ação conjunta das polícias Civil e Militar busca desarticular a estrutura criminosa, responsabilizar seus integrantes e aprofundar as investigações sobre as conexões entre roubos de veículos, adulteração de identificadores, comercialização clandestina pela internet e tráfico de armas.
A operação desta sexta é realizada por agentes da DRFA e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), com apoio de dois veículos blindados. Ainda não há balanço divulgado.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.
Aliança entre facções
A comunidade Jardim Novo é controlada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), mas apurações já revelaram que existe uma aliança da organização criminosa com o Comando Vermelho (CV).
Em abril, as polícias Civil e Militar realizaram a Operação Pseudo Cacique, que também mirou a atuação da ADA no Jardim Novo, comunidade de Realengo. Seis pessoas, alvos de mandados de prisão, foram detidas. Nesta ação, equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) ainda localizaram e apreenderam uma plantação de maconha.
Após 10 meses de investigação, policiais da 44ª DP (Inhaúma) identificaram que os integrantes da ADA se aliaram a criminosos do CV e a comunidade se tornou uma das principais rotas para os avanços territoriais dessas organizações criminosas na Zona Oeste. Os agentes constataram que a localização do Jardim Novo tem importância estratégica por fazer divisa com a Taquara e estar próximo à Cidade de Deus.
Lucas Apostólico da Conceição, conhecido como Índio, é apontado como líder do tráfico no Jardim Novo. Ele é considerado foragido desde 2023, quando fugiu de um dos presídios do Complexo de Gericinó, em Bangu. O criminoso e dois comparsas utilizaram uma corda improvisada, chamada de "teresa", para escapar pelos fundos da penitenciária.
As investigações apontam que Lucas é responsável por grande parte dos roubos de carga e de veículos nas proximidades da comunidade. Além disso, a ADA teria o costume de ameaçar os moradores, extorquir os comerciantes com cobranças ilegais e controlar o fornecimento de gás, águas e serviços de internet.


