Policiais civis prenderam, neste sábado (7), o empresário Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como Rei da Sucata. Segundo as investigações, o homem, que foi encontrado quando comprava joias de luxo em um shopping de São Paulo, integrava uma estrutura empresarial usada para lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV).
Apurações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) identificaram que Rodrigo utilizou companhias de metais para repassar R$ 4,6 milhões para um operador financeiro do traficante Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, líder do tráfico do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
De acordo com o analisado, há uma estrutura interestadual de movimentação e ocultação de recursos ligada a Rabicó. O trabalho investigativo revelou que empresas do setor de reciclagem, sucatas e metais foram usadas para movimentar valores provenientes do tráfico, por meio de contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie e por transferências entre pessoas físicas e jurídicas sem relação econômica aparentemente compatível.
O levantamento financeiro que fundamentou a Operação Contenção, deflagrada em 29 de maio deste ano, identificou movimentações superiores a R$ 453 milhões. Na ocasião, 24 pessoas foram presas, incluindo Raquel Neves dos Santos Mendonça, mulher de Rabicó. Rodrigo foi alvo da ação, mas não chegou a ser localizado, permanecendo foragido desde então.
De acordo com as investigações, o empresário administra uma empresa do ramo de fundição de metais não ferrosos, formalmente vinculada ao seu pai, também preso na operação de maio. A apuração apontou que a companhia foi inserida na estrutura financeira utilizada para lavar dinheiro da facção.
A análise de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transferências da empresa de Rodrigo diretamente para contas de um homem apontado como principal operador financeiro de Rabicó. Entre abril de 2023 e setembro de 2024, os repasses somaram aproximadamente R$ 4,6 milhões.
A DRE também encontrou movimentações de cerca de R$ 1,6 milhão para contas bancárias vinculadas a outras companhias do mesmo circuito empresarial.
As apurações indicaram que os recursos percorriam uma rede de empresas e pessoas classificadas como "laranjas" antes de serem reinseridos na economia formal. Dessa forma, o dinheiro do tráfico não circulava apenas por contas diretamente ligadas aos integrantes da facção, mas também por negócios aparentemente regulares, especialmente dos setores de reciclagem, sucatas e metais.
O empresário foi localizado em um shopping de alto padrão da capital paulista, enquanto fazia compras em uma joalheria de luxo. A prisão ocorreu em conjunto com o Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (GSI/MPMG) e contou com apoio do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Foram cinco meses de trabalho de inteligência de monitoramento. Segundo a Polícia Civil, Rodrigo chegou a deixar o país e morar nos Estados Unidos durante o período em que permaneceu foragido. Após a operação de maio, os agentes da DRE e do GSI/MPMG acompanharam os deslocamentos do homem, que também constava em alerta vermelho da Interpol.
O trabalho conjunto permitiu identificar seu retorno ao Brasil, no início de outubro, e acompanhar seus movimentos até a prisão em São Paulo.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas, bens e valores relacionados ao Comando Vermelho.
A reportagem procura a defesa do empresário. O espaço está aberto para manifestação.

