Mãe de Oruam, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno deixou o Presídio Djanira Dolores de Oliveira, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, neste domingo (8), com tornozeleira eletrônica. A informação foi confirmada ao O DIA pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).
O dispositivo de rastreamento eletrônico foi instalada na mulher de Márcio dos Santos Nepomuceno - o Marcinho VP, líder do Comando Vermelho (CV) preso há quase 30 anos - pela equipe de Monitoração Eletrônica da Seppen, de acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao questionar se Márcia ficará em prisão domiciliar, a reportagem ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
Prisões
Márcia foi presa em 19 de outubro durante uma operação "Backbone" da Polícia Federal contra o controle da facção criminosa ao fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio.
Os agentes também prenderam o filho de Marcinho VP e irmão de Oruam, Lucca Nepomuceno, e o vereador Fábio Silva (Podemos). De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e de suas concorrentes, impedem os reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada "internet do tráfico".
Segundo a PF, provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma "tarifa" pelo direito de operar nos territórios. As apurações identificaram que, em um único mês, a cobrança sobre a internet respondeu por mais de 40% de todo o lucro do Comando Vermelho na Penha.
"A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção", explicou a corporação, na ocasião.
Parte dos mandados são cumpridos contra alvos já encarcerados, inclusive no Sistema Penitenciário Federal. As investigações revelaram que Marcinho VP continuava controlando as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças do CV.
Ainda de acordo com a PF, os lucros chegavam à família de Marcinho por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. O dinheiro era dissimulado em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos.
Em junho, a Justiça concedeu o habeas corpus para Márcia a mãe do rapper. Ela era investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. A decisão foi tomada pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que determinou o cumprimento de outras medidas cautelares.

