Colunista Luiz André Ferreira
Enquanto no sentido figurado as pessoas ainda estão se desejando um Ano Novo de luz, ocorre a falta dela justamente no palco da maior comemoração mundial de Réveillon. Trata-se de de parte de Copacabana e no Leme, que na verdade, é o prolongamento do bairro e da praia mais famosa do Brasil.
Em alguns pontos a interrupção no fornecimento ultrapassa a 60 horas em alguns pontos. Ocorre numa região quase toda totalmente em arquitetura vertical, com média de 11 andares, com exceções chegando a 21 pavimentos.
Concentração de Idosos
Para aumentar esse enredo digno de causar inveja ao cinema catástrofe, acontece no bairro com maior quantidade de idosos do país e ainda, no meio do feriadão que bateu recorde de turistas no local. Coincidências pregadas pelo destino, carma coletivo ou alerta para revisão dos atuais modelos?
Por ironia, acontece quando o Rio finalmente conseguiu o reconhecimento internacional através Guinness Book que condecorou a cidade com o título de maior réveillon do mundo baseado justamente na festa nas areias de Copacabana e Leme, atingiu o recorde de 2,6 milhões de pessoas nesta virada para 2026.
Falta de Ar
Segundo levantamento prévio da associação Hoteis Rio, o bairro preferido pelos turistas, contava com 91,83% de reservas antecipadas para este Réveillon, possivelmente beirando a lotação ao chegar a data. Se a essa situação é perturbadora para moradores e visitantes brasileiros, imagine para o estrangeiro, justamente é essa fatia de turista que vem aumentando.
Sem o ar condicionado e ventilador, o desconforto climático é muito mais sentido por pessoas vindas de países frios ou de temperatura mais amena. Experiência muito intensa para quem não possui vivência local, domínio do português, o amparo de amigos e parentes.
Junto com a Ressaca do Réveillon
É inevitável o aumento da sensação de insegurança diante da visão de parte da praia, ruas e demais espaços às escuras, num país que luta para apagar internacionalmente sua imagem estigmatizada pela violência. Como a queda de energia começou na tarde de sábado, pegou a cidade ainda lotada, já que a maioria dos pacotes se estendiam até domingo, movimento também observado nas reservas isoladas de hospedagem, passagens e ingressos para os principais pontos turísticos.
Nem todos os hotéis possuem geradores, somado ao crescimento das plataformas de aluguel por temporada. Muitos ficaram incomunicáveis nos altos andares. Teve ainda a dieta forçada diante da impossibilidade de interação com os entregadores de comida.
Nem todos os hotéis possuem geradores, somado ao crescimento das plataformas de aluguel por temporada. Muitos ficaram incomunicáveis nos altos andares. Teve ainda a dieta forçada diante da impossibilidade de interação com os entregadores de comida.
Encarar as escadas com malas foi a única opção pora grande parte dos turistas ainda na cidade como forma de não perdessem as passagens de retorno. Muitos foram impossibilitados de cumprirem a atual imposição das companhias aéreas de realizar o check-in online horas antes para evitar o overbooking e garantir o voo.
Emudecidos
Do lado oposto, pessoas madrugando pelas ruas e bares, muitas ainda em trajes de banho. Subir a pé não foi o único obstáculo. A falta de energia dificultou a abertura de fechaduras e portarias eletrônicas, algumas acionadas ou com senhas gravadas em celulares emudecidos.
As quedas do atuais sinais vitais do Wi-Fi, dados móveis dos celulares e até de telefonia comum ultrapassaram a área às escuras, estendendo essas intermitências para outros pontos da Zona Sul carioca não afetados diretamente pelo apagão.
Roleta Russa ao atravessar as Ruas
A dificuldade de conexão nessas áreas de sombra impedia a conexão com os aplicativos de transportes. De dentro dos carros alguns, os profissionais alegaram dificuldade na iniciação das corridas, nos comandos de GPS, além da necessidade de atenção redobrada. Os sinais de trânsito parados ou desajustados, potencializavam os riscos em cruzamentos e de atropelamento de pedestres tendo que atravessar no escuro.
Essa situação não é inédita. Faz parte do cotidiano do Brasil principalmente pelo aumento do consumo sem que oferta energética acompanhe essa demanda. A maior cidade do país, São Paulo vem sofrendo constantes registros de interrupções e demora excessiva no restabelecimento.
Região Big Brother
A justificativa de que ocorreram furtos de cabos de energia demonstra a fragilidade do setor. Quem conhece essa parte carioca sabe bem que não existe privacidade nessa área pública nem em em um dia comum, quanto mais nesse movimentado feriadão. Lotada de turistas e moradores circulando pela tarde ensolarada rumo a disputada praia ou em direção aos famosos bares.
È um perímetro quase todo mapeado por câmeras de vigilância. E ainda ocorreu em pleno funcionamento de um dos maiores aparatos policiais, que alegaram não terem, até a ocasião, registro da referida ocorrência criminal.
Pegou Mal
Sem ironias, mas o episódio coloca os holofotes em cima da insegurança dos modelos energéticos vigentes não somente no Brasil. Praticamente não existe convivência de matrizes diferentes num mesmo segmento.
A cartilha neoliberal exigiu aos seus seguidores a implantação da agenda de privatizações num curto espaço de tempo fazendo com que fossem improvisadas, sem revisões de modelos de atuação, proteção reguladora ou atualizações das legislações.
A cartilha neoliberal exigiu aos seus seguidores a implantação da agenda de privatizações num curto espaço de tempo fazendo com que fossem improvisadas, sem revisões de modelos de atuação, proteção reguladora ou atualizações das legislações.
Também não ocorreram estudos mais profundos sobre o estratégico a se preservar e os segmentos com potencialidade de maior desenvolvimento com introdução do capital privado. Pela sua importância, vital, o setor energético sempre foi um dos mais decisivos no grau de desenvolvimento das sociedades deixando para trás as que não possuem matérias-primas ou tem acesso facilitado pelas redes de distribuição.
Historicamente o empoderando dos controladores desse segmento vem gerando monopólios, lobbies desigualdades. Apesar do fantasma da finitude, dentro do segmento, a danosa geração por combustíveis fósseis mantém-se entre as mais utilizadas.
De forma direta ou indireta o controle energético continua gerando de guerras, invasões, ditaduras, violência econômica além dos conflitos socioambientais.
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