Muito além da areia...

O Legado Educacional do Projeto Botinho

Programa de Verão há 63 anos
Programa de Verão há 63 anos -
Colunista: Luiz André Ferreira
O Botinho atravessou mais de seis décadas se consolidando como um dos mais relevantes projetos educacionais fora do ambiente escolar. Há 42 anos, o Corpo de Bombeiros assumiu oficialmente o programa, junto com a incorporação do antigo Grupo Marítimo de Salvamento a esta instituição militar.
Considerada a maior colônia de férias gratuita da América Latina, a edição deste verão atende cerca de 5 mil crianças e adolescentes em polos instalados em 29 praias do litoral fluminense. Foi criado de forma despretensiosa por alguns salva-vidas cariocas, em 1963. Com o passar do tempo, o Botinho passou a contar com a parceria com o Sesc RJ.
“A iniciativa contribui diretamente para a segurança nas praias, ao mesmo tempo em que estimula a consciência ambiental e a formação cidadã desde a infância. Ao trabalhar valores como disciplina, responsabilidade e convivência, o projeto deixa um legado que ultrapassa o período do verão e impacta positivamente as comunidades. Para nós, é motivo de satisfação estar ao lado de ações que geram aprendizado, proteção e qualidade de vida”, afirma Antonio Florencio de Queiroz Junior, presidente do Sesc RJ.
Inspirador
Reconhecido como referência no Brasil e no exterior, inspirou outros semelhantes pelo Brasil e o mundo. O projeto contribui para a formação de jovens mais conscientes e preparados para a vida em sociedade. As atividades acontecem sempre no período da manhã e incluem exercícios físicos na areia, orientações sobre segurança no mar, noções de primeiros socorros e educação ambiental.
Questões de saúde também foram incorporadas a rotina do programa praiano. Com a conscientização dos danos causados pelo aquecimento global e os perigosos buracos na camada de ozônio, o uso de protetor solar, fornecido pela instituição, passou a ser um dos principais requisitos para participar das aulas.
A programação do conteúdo prático é planejado para estimular a convivência social e reforçar a prevenção de afogamentos, alinhando aprendizado, disciplina e cuidado coletivo. A iniciativa fortalece valores essenciais para a formação de cidadãos mais responsáveis e comprometidos com a segurança coletiva e a preservação do meio ambiente.
Níveis de Botinhos
Os participantes são organizados em três grupos, conforme a idade: Golfinho, para crianças de 7 a 10 anos; Moby Dick, de 11 a 14 anos; e Tubarão, para adolescentes. Ao final das atividades, todos recebem certificado de participação referente a etapa cursada.
“O Projeto Botinho é uma ferramenta fundamental de educação e prevenção. Ao longo das atividades, crianças e adolescentes aprendem sobre segurança, cidadania e respeito à natureza, levando esse conhecimento para além da praia e ajudando a construir uma cultura de prevenção desde cedo”, destaca o coronel Tarciso Salles, secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ.
* Luiz André Ferreira é professor universitário, jornalista, apresentador e podcaster
Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
Projeto Botinho faz escola
Projeto Botinho faz escola Divulgação Corpo de Bombeiros/RJ