Sombra Gigante no solo brasileiro

A volta do maior Gavião das Américas

Espécie gigante volta a habitar o Brasil
Espécie gigante volta a habitar o Brasil -
Colunista Luiz André Ferreira
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade celebra um marco importante para a conservação no sul da Bahia. Em parceria com o Projeto Harpia Mata Atlântica, pesquisadores confirmaram a presença da Harpia harpyja, o maior gavião das Américas, no Parque Nacional da Serra das Lontras.
A descoberta foi recebida com entusiasmo pela equipe do Núcleo de Gestão Integrada de Ilhéus, responsável também pela Reserva Biológica de Una e pelo Refúgio de Vida Silvestre daquela região. NO entanto, o aparecimento não chegou a ser uma surpresa para pesquisadores que já detectavam indícios da volta da espécie Harpia harpyja ao céu do Brasil.
“Já havia uma suspeita sobre a presença da harpia no Parque Nacional da Serra das Lontras e nas demais unidades sob gestão do NGI Ilhéus. A parceria com o Projeto Harpia trouxe essa confirmação, o que foi motivo de imensa alegria. Saber da existência da rainha das florestas em nosso território é, além de uma honra, também uma grande responsabilidade”, destacou.
Bebê brasileiro
Criado em 2010, o parque possui pouco mais de 11 mil hectares e tem como foco a preservação ambiental, a pesquisa científica e a visitação pública. A área representa o limite mais ao norte da Mata Atlântica com registros recentes da espécie.

Para garantir a sobrevivência da ave, especialistas destacam a importância de preservar não apenas o parque, mas também a “cabruca”, sistema tradicional de cultivo de cacau sob árvores nativas, essencial para manter a conexão entre fragmentos florestais no sul da Bahia.
No mesmo território, outro fato chamou a atenção de pesquisadores. Na Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel, foi registrado o nascimento de um filhote da espécie. O caso representa o único ninho com sucesso reprodutivo monitorado na Mata Atlântica em 2026, em uma área oficialmente reconhecida como reserva privada de conservação.

O local já é considerado estratégico para a espécie. Em 2005, foi ali o primeiro registro de ninho documentado no bioma. Desde 2018, no entanto, os casais observados apenas reformavam ninhos, sem reprodução. O nascimento recente interrompe esse ciclo e reacende as expectativas dos pesquisadores.
A presença de um filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é vista como sinal positivo. Indica a existência de florestas maduras, oferta de presas como macacos e preguiças e árvores robustas capazes de sustentar ninhos que podem chegar a 100 quilos.
Acompanhamento aéreo
Para proteger o animal, o monitoramento é feito à distância, com técnicas que evitam interferências. A previsão é que, por volta dos seis meses, a ave receba um rastreador GPS, permitindo coletar dados importantes para políticas públicas e estratégias de preservação.

Outro registro recente reforça esse cenário. No Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, indígenas Pataxó documentaram a presença da espécie, evidenciando a importância do conhecimento tradicional aliado à ciência. A ocorrência da harpia em diferentes áreas protegidas da região fortalece o papel das unidades de conservação e dos territórios tradicionais na proteção da biodiversidade.

Conhecida como gavião-real, a harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Uma fêmea pode pesar até nove quilos e atingir mais de dois metros de envergadura. Suas garras, com cerca de 10 centímetros, têm força suficiente para capturar presas de grande porte.
Predadora de topo da cadeia alimentar, a espécie não possui inimigos naturais e sua presença é considerada um termômetro da saúde ambiental. Segundo especialistas, ela ajuda a manter o equilíbrio ecológico, evitando impactos que podem afetar a vegetação e até os recursos hídricos.

Além disso, a ave apresenta reprodução lenta: geralmente um filhote a cada dois ou três anos, em áreas que podem chegar a até 10 mil hectares por casal. Por isso, cada novo registro é visto como um sinal valioso da qualidade ambiental da região.
* Luiz André Ferreira é podcaster, curador, jornalista, apresentador e professor universitário
Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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Maior gavião das Américas retorna ao habitat brasileiro
Maior gavião das Américas retorna ao habitat brasileiro Foto: divulgação