Colunista: Luiz André Ferreira
Comemorado como positivo, o balanço apresentado na reunião pós realizada esta semana. Aponta grandes potencialidades para crescimento. Dado o sinal verde para que as equipes operacional, de marketing e de tutoria artística estudem e apresentem, o mais breve possível, projetos de exploração e maior aproveitamento.
Não resta a menor dúvida de que é um dos territórios mais simbólicos do Rock in Rio. Foi criado há quatro edições com performances do grupo Nós do Morro. Foi quase como uma “cota” dentro do festival. Nesse período vem surpreendendo pela receptividade do público, engajamento nas mídias sociais e ressonância entre artistas e anunciantes.
Lembrando que o Rock in Rio nasceu em 1985 com apenas um palco. Foram surgindo outros alternativos. Conforme iam amadurecendo e ganhando musculatura foram subindo na escala de valores do festival.
A força da Favela
Essa última temporada já apresentou um salto evolutivo. A área física foi ampliada. Para a melhor localização pelo público, a sinalização e o acesso ficaram mais nítidos e objetivos dentro do mapa geral da Cidade do Rock.
Essa última temporada já apresentou um salto evolutivo. A área física foi ampliada. Para a melhor localização pelo público, a sinalização e o acesso ficaram mais nítidos e objetivos dentro do mapa geral da Cidade do Rock.
São nítidas as melhorias dos recursos acústicos e de iluminação. Aparentemente, houve um ajuste no perímetro de instalação das estruturas, de forma a ficar fora do raio de propagação de interferência de som vazado de palcos vizinhos mais potentes. Um problema recorrente que pareceu sanado.
Para assegurar sua identidade e diferencial já consolidados, mantiveram o design básico, com introdução harmônica de novos elementos cenográficos complementares, principalmente para incluir a estreia de pontos de comercialização e exibição de produtos em espaços que reproduziam as chamadas “vendinhas” comuns em comunidades cariocas.
O cenário colorido de forma vibrante, chama atenção de longe, composto de casas sobrepostas, escadarias, lajes, teleféricos, roupas secando... Uma reprodução da estética e da energia dessas comunidades
Cota
Ficou claro para o público presente, anunciantes e investidores que deixou de ser um tablado improvisado para ser tratado pelos organizadores como uma área de convivência diferenciada e uma plataforma reprodutora de uma cultura singular que inclui arte periférica, interação social, diversidade urbana, arquitetura popular, economia criativa e comunicação diferenciada.
Ficou claro para o público presente, anunciantes e investidores que deixou de ser um tablado improvisado para ser tratado pelos organizadores como uma área de convivência diferenciada e uma plataforma reprodutora de uma cultura singular que inclui arte periférica, interação social, diversidade urbana, arquitetura popular, economia criativa e comunicação diferenciada.
Não à toa que conquistou dois patrocinadores exclusivos, um público cativo e a renomeação do cantor Belo como Embaixador.
Cautela Sustentável
Os planos mais ambiciosos precisam ser sustentáveis. São critérios necessários para evitar que uma exploração predatória provoque a perda da essência e da originalidade. Trocando em miúdos... “Que a ambição não mate a galinha dos ovos de ouro”.
Antes de tudo, para seguir nesse processo evolutivo, precisam investir primeiramente na valorização e nos conceitos da marca, de forma a vencer preconceitos enraizados em relação às comunidades inspiradoras do ecossistema Favelas.
Precisa começar pelo seu público interno, que deve abraçar esse espaço para conseguir aumentar sua escala de valor e transmitir esse conceito a cadeia complementar: artistas, parceiros e patrocinadores.
O protesto de MC Cabelinho sintetiza a percepção errônea. Após sua significativa apresentação ao lado de TZ da Coronel, o rapper, ao invés de comemorar sua memorável atuação, defendeu a abertura de acesso para artistas oriundos de comunidades aos “principais” espaços do Rock in Rio, se auto credenciando como “pronto” para ser "promovido" para o “nobre” Palco Mundo.
A sensação dele é legítima em relação ao abismo comparativo em questões tecnológicas, produção artística e valor de cachês pagos aos artistas. A diferença no tratamento também é gritante na régua de divulgação e comunicação no Rock in Rio.
Antes de tudo, para seguir nesse processo evolutivo, precisam investir primeiramente na valorização e nos conceitos da marca, de forma a vencer preconceitos enraizados em relação às comunidades inspiradoras do ecossistema Favelas.
Precisa começar pelo seu público interno, que deve abraçar esse espaço para conseguir aumentar sua escala de valor e transmitir esse conceito a cadeia complementar: artistas, parceiros e patrocinadores.
O protesto de MC Cabelinho sintetiza a percepção errônea. Após sua significativa apresentação ao lado de TZ da Coronel, o rapper, ao invés de comemorar sua memorável atuação, defendeu a abertura de acesso para artistas oriundos de comunidades aos “principais” espaços do Rock in Rio, se auto credenciando como “pronto” para ser "promovido" para o “nobre” Palco Mundo.
A sensação dele é legítima em relação ao abismo comparativo em questões tecnológicas, produção artística e valor de cachês pagos aos artistas. A diferença no tratamento também é gritante na régua de divulgação e comunicação no Rock in Rio.
Ajudaria a esse processo de reposicionamento, a elevação na hierarquia do catalogo de venda e oferta de espaços comercializáveis no festival. Até porque vai de encontro à falta de habilidade de muitas marcas em atingir justamente essa faixa apontada como emergente, devido à sua larga escala e crescente poder de compra.
Poder Diferencial
O ecossistema Favelas tende a ser um trunfo diante do fenômeno da pasteurização e competitividade mundial neste segmento. Trata-se do efeito colateral das equiparações e acessos aos mesmos equipamentos técnicos, operacionais e logísticos num segmento comercial altamente competitivo.
Os investidores também deixaram de ser regionais. Hoje o capital não tem pátria. Fica circulando globalmente. O elenco dos pop stars internacionais é o mesmo. Até as grandes estrelas brasileiras possuem seus agentes no exterior. Ou seja, o conteúdo geral desses megaeventos mundiais fica muito parecido.
Não sei se já enxergaram esse coringa que possuem nas mãos. O Favelas tem justamente os ingredientes que dificilmente os concorrentes de fora conseguirão equiparar. Ali está o diferencial do festival carioca, com potencial para virar carro-chefe do próprio Rock in Rio ou mesmo ganhar vida própria como evento independente e cravar uma data no apertado calendário global dos grandes eventos.
É só reparar nas reportagens internacionais feitas com material próprio, sem a “curadoria” e imposição das assessorias de imprensa envelopando releases e fotos promocionais. A maioria das imagens ilustrativas escolhidas pelas próprias produções jornalísticas estrangeiras é quase sempre a icônica cenografia do palco que reproduz as comunidades cariocas.
Coisa Nossa
Favela nesse formato com seu arcabouço cultural pulsante é “coisa nossa”. Por essa singularidade, despertam tanta curiosidade e fascínio no exterior e até em outros pontos no Brasil. Uma das maiores evidências é o crescimento do turismo internacional nos morros cariocas, aguçado pelo imaginário popular capaz de vencer o preconceito e o medo da insegurança. Outro termômetro é o aumento de ONGs internacionais em trabalhos, projetos e pesquisas.
O ecossistema Favelas também demonstrou sua vocação para adequar seu espaço e abrigar outros expoentes culturais. O ponto alto dessa última edição foi transformar o local no Baile Charme deslocando esse patrimônio cultural carioca debaixo do Viaduto de Madureira para os gramados da Cidade do Rock. Quem sabe nos próximos alguns ícones brasileiro de apelo internacional como pockets apresentações do Bola Preta, o Galo de Olinda ou Os Bois de Parintins? Mostrou potencialidade também, para, se trabalhado, virar novo anexo independente no Rock in Rio.
O ecossistema Favelas tende a ser um trunfo diante do fenômeno da pasteurização e competitividade mundial neste segmento. Trata-se do efeito colateral das equiparações e acessos aos mesmos equipamentos técnicos, operacionais e logísticos num segmento comercial altamente competitivo.
Os investidores também deixaram de ser regionais. Hoje o capital não tem pátria. Fica circulando globalmente. O elenco dos pop stars internacionais é o mesmo. Até as grandes estrelas brasileiras possuem seus agentes no exterior. Ou seja, o conteúdo geral desses megaeventos mundiais fica muito parecido.
Não sei se já enxergaram esse coringa que possuem nas mãos. O Favelas tem justamente os ingredientes que dificilmente os concorrentes de fora conseguirão equiparar. Ali está o diferencial do festival carioca, com potencial para virar carro-chefe do próprio Rock in Rio ou mesmo ganhar vida própria como evento independente e cravar uma data no apertado calendário global dos grandes eventos.
É só reparar nas reportagens internacionais feitas com material próprio, sem a “curadoria” e imposição das assessorias de imprensa envelopando releases e fotos promocionais. A maioria das imagens ilustrativas escolhidas pelas próprias produções jornalísticas estrangeiras é quase sempre a icônica cenografia do palco que reproduz as comunidades cariocas.
Coisa Nossa
Favela nesse formato com seu arcabouço cultural pulsante é “coisa nossa”. Por essa singularidade, despertam tanta curiosidade e fascínio no exterior e até em outros pontos no Brasil. Uma das maiores evidências é o crescimento do turismo internacional nos morros cariocas, aguçado pelo imaginário popular capaz de vencer o preconceito e o medo da insegurança. Outro termômetro é o aumento de ONGs internacionais em trabalhos, projetos e pesquisas.
O ecossistema Favelas também demonstrou sua vocação para adequar seu espaço e abrigar outros expoentes culturais. O ponto alto dessa última edição foi transformar o local no Baile Charme deslocando esse patrimônio cultural carioca debaixo do Viaduto de Madureira para os gramados da Cidade do Rock. Quem sabe nos próximos alguns ícones brasileiro de apelo internacional como pockets apresentações do Bola Preta, o Galo de Olinda ou Os Bois de Parintins? Mostrou potencialidade também, para, se trabalhado, virar novo anexo independente no Rock in Rio.
Fora do Ar
A comunicação precisa de um urgente reposicionamento. É preciso Investir na conscientização do valor agregado do Polo Favelas começando pela própria divulgação oficial. Também se faz necessário a revisão do acordo com a empresa detentora da exclusividade de imagem.
A comunicação precisa de um urgente reposicionamento. É preciso Investir na conscientização do valor agregado do Polo Favelas começando pela própria divulgação oficial. Também se faz necessário a revisão do acordo com a empresa detentora da exclusividade de imagem.
O grupo Globo ainda não percebeu e deu ressonância ao apelo e à potencialidade. Merece um destaque no streaming Globoplay, onde foi oferecido de forma quase apagada em sua prateleira virtual. No broadcasting, o Favelas foi alocado no Bis, terceiro canal na hierarquia Global, ficando infinitamente atrás da audiência da TV Globo e do Multishow.
E ainda tinham que dividir o mesmo canal televisivo com as transmissões dos Palcos New Dance Order e Supernova, fazendo com que deixassem de se complementarem, para agirem como concorrentes internos pelos parcos minutos no ar. Essa visão fragmentada impede a percepção do conceito total pelos telespectadores.
E ainda tinham que dividir o mesmo canal televisivo com as transmissões dos Palcos New Dance Order e Supernova, fazendo com que deixassem de se complementarem, para agirem como concorrentes internos pelos parcos minutos no ar. Essa visão fragmentada impede a percepção do conceito total pelos telespectadores.
O Favelas complementou seu ecossistema presencial com significativas ações durante os intervalos de seus grandes shows com momentos solos dos apresentadores, interação com a plateia, declamações de poesias, performance do coletivo Oz Crias, exibições de danças, artes plásticas, teatro popular...
Virou um genuíno centro de cultura urbana de interligação das artes que o público de casa perdeu pelos poucos momentos de transmissão fragmentados.
Matar a Galinha dos Ovos de Ouro
Podem colocar tudo a perder se não respeitarem as singularidades. Surge quase como uma afronta a instalação esse ano do Camarote Favela, modelo que foi testado em ambientes, eventos e públicos totalmente distintos, como nos desfiles de Carnaval na Marquês de Sapucaí e numa edição internacional do próprio Rock in Rio.
Além de não combinar com a proposta igualitária, essa área VIP tinha ingressos vendidos a R$ 3.300 reais por cada dia de evento! Valor proibitivo para o público que movimenta esse tipo de arte. Trata-se de uma apropriação da cultura de um grupo, inclusive na estética do próprio camarote, e, ao mesmo tempo, reproduzir o modelo econômico que o exclui.
Numa camada que sofre a segregação na pele e luta por igualdade, foi dado a uns afortunados pagantes, uma visão privilegiada em relação a do seu público na plateia .
* Luiz André Ferreira é podcaster, curador, jornalista, apresentador e professor universitário Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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