Soldado americano entra na Coreia do Norte durante visita à fronteira

Segundo a ONU, ele estava na Área de Segurança Conjunta quando tentou atravessar a fronteira e terminou detido pelas forças norte-coreanas

Soldados da Coreia do Sul durante patrulha na Área de Segurança Conjunta, setor sob controle da ONU
Soldados da Coreia do Sul durante patrulha na Área de Segurança Conjunta, setor sob controle da ONU -
Um soldado americano entrou na Coreia do Norte durante uma visita turística à altamente vigiada fronteira deste país com a Coreia do Sul e estima-se que esteja sob custódia norte-coreana, informaram nesta terça-feira, 18, as Nações Unidas.
Ele "cruzou sem autorização a Linha de Demarcação Militar" com a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), durante uma visita à Área de Segurança Conjunta, setor sob controle da ONU, disse o posto de comando da organização.
"Acreditamos que ele esteja detido na RPDC, e estamos trabalhando com nossos colegas do Exército Popular da Coreia para resolver o incidente", acrescentou o ponto de comando da ONU, referindo-se às forças armadas norte-coreanas.
De acordo com o canal de TV sul-coreano SBS, a pessoa que cruzou a fronteira é um soldado americano, o que foi confirmado por uma autoridade dos Estados Unidos, sob condição de anonimato. O Ministério de Defesa da Coreia do Sul, por sua vez, não quis comentar o ocorrido à AFP.
Desde que a Guerra da Coreia, de 1950-1953, terminou com um armistício e não com um tratado de paz, os dois países continuam tecnicamente em conflito, e sua fronteira, muito vigiada, consiste em uma zona desmilitarizada.
Soldados de ambos os Estados trabalham frente a frente na Área de Segurança Conjunta, ao norte de Seul, sob a supervisão do comando das Nações Unidas. O local é também um popular destino turístico, com centenas de visitantes por dia, do lado sul-coreano.
Em 2019, o então presidente americano Donald Trump se reuniu com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, na localidade fronteiriça de Panmunjom, e esteve, também, em território norte-coreano ao cruzar a linha de demarcação.
Uma testemunha, que disse ter participado da mesma excursão, contou ao canal CBS News que o grupo havia visitado um dos edifícios da localidade quando "este homem soltou um sonoro 'ha ha ha' e começou a correr entre os dois prédios".
No começo pensei que era uma brincadeira de mau gosto, quando ele não voltou, me dei conta de que não era uma piada e então todos reagiram e as coisas ficaram loucas", explicou.
Em 2020, no início da pandemia de covid-19, a Coreia do Norte fechou suas fronteiras e não tornou a abri-las novamente. Também reduziu significativamente a segurança em sua área na zona desmilitarizada.
Uma equipe da AFP visitou a Área de Segurança Conjunta este ano e confirmou que não havia soldados norte-coreano visíveis no local. De acordo com o protocolo do armistício, nem funcionários americanos nem da Coreia do Sul podem cruzar a fronteira pra recuperar o soldado dos EUA.
O incidente ocorre em um momento em que as relações entre as duas Coreias são mínimas. A ação diplomática está paralisada e Kim Jong-un pediu o desenvolvimento armamentista de seu país, incluindo armas nucleares táticas.
Já a Coreia do Sul e os Estados Unidos intensificaram sua cooperação em relação à Defesa organizando exercícios militares conjuntos, alguns dos quais serão realizados no próximo mês. Na última terça-feira, 11, as duas potências celebraram, em Seul, a primeira reunião do Grupo Consultivo Nuclear (NCG), que visa aprimorar a coordenação nuclear entre estes aliados e reforçar a preparação militar na Coreia do Norte.
Além disso, anunciaram que o submarino nuclear americano fez uma escala na cidade sul-coreana de Busan pela primeira vez desde 1981, o que poderia provocar uma resposta forte da sua vizinha do norte. Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, afirmou na segunda-feira, 17, que a implantação do submarino apenas "afastará" Pyongyang de qualquer negociação.