Eleitores relatam filas de até três horas para votar neste domingo (4), em diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro. A demora começou já nos primeiros minutos após a abertura dos portões dos locais de votação, às 8h. Ao longo da manhã e início da tarde, a aglomeração aumentou bastante.
A votação termina às 17h, no horário de Brasília. No entanto, eleitores que ainda estiverem na fila nesse momento poderão votar. Os mesários devem identificar quem já estiver aguardando e distribuir senhas para garantir o atendimento. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a votação segue normalmente até que o último eleitor que recebeu senha registre o voto. Assim, quem estiver na fila de sua seção eleitoral até as 17h terá o direito de votar, mesmo que o atendimento ocorra após o encerramento oficial da votação.
A comissária de voo Raquel Goldoni, de 29 anos, conta que demorou duas horas para conseguir votar na Escola Municipal Sobral Pinto, na Praça Seca, Zona Sudoeste do Rio. A mãe dela, de 53 anos, que vota no mesmo local, chegou a ficar três horas na fila. Segundo Raquel, algumas pessoas passaram mal por causa do calor.
"Foi bem ruim hoje. As filas enormes, principalmente na minha seção, que normalmente é mais vazia. Eu levei duas horas na fila até conseguir votar. Minha mãe levou três horas, a gente vota no mesmo lugar. As filas estavam longas e eles dividiram entre preferencial e não preferencial, só que só havia uma urna por seção e eles deixavam entrar um preferencial e depois um não preferencial. Então, andava bem devagarinho. Vi algumas pessoas passando mal por conta do calor", relata.
A estudante de jornalismo Letícia Cezário Madeira, de 23 anos, também considerou cansativa a experiência de votar neste ano. Ela levou quase duas horas para conseguir votar em um colégio de Santa Cruz, na Zona Oeste. Segundo Letícia, havia muitos idosos nas filas.
"Minha experiência com a votação nas eleições de 2026 foi bem cansativa. Eu voto em Santa Cruz, bairro da extrema Zona Oeste, e levei quase duas horas para conseguir votar. Cheguei por volta de 11h05 e saí exatamente às 12h50. A impressão que tive nessa eleição é que tinham mais idosos, e eles não tinham muita informação sobre a prioridade. Minha zona eleitoral não é considerada cheia e estava organizada", conta.
A jovem Gabrielle de Lima, de 20 anos, demorou cerca de uma hora e 20 minutos para conseguir entrar na sala de votação, no Colégio Pedro II, em Realengo, na Zona Oeste. Ela relata falta de organização na área externa, principalmente na separação das filas preferenciais.
"Quando cheguei, a área das filas estava muito cheia e bastante desorganizada. Algumas filas estavam muito, muito grandes, e eu levei cerca de 1h20 para conseguir votar. Também estava fazendo bastante calor, o que tornou a espera ainda mais desconfortável. A organização das filas de prioridade e das filas normais estava um pouco confusa e, como as filas eram tão grandes, muitas vezes nem dava para saber direito onde era o final de cada uma", diz.
Gabrielle afirma que a desorganização estava concentrada na parte externa do local e que não teve problemas no momento da votação. "Depois que entrei na sala para votar, foi tranquilo e lá dentro foi organizado. O problema maior mesmo foi a organização das filas e a falta de orientação na área externa", conta.
Em Itaguaí, a situação também foi marcada por longas filas. O estudante de economia Ramon Nascimento da Cunha, de 24 anos, levou duas horas para conseguir votar e definiu a experiência como excruciante.
"A escola não tinha ventilação suficiente para a quantidade de pessoas dentro, longas filas pelos corredores que subiam até o segundo andar. Esperei por duas horas, cheguei lá às 11h03 e saí às 13h25. Foi excruciante. Os próprios fiscais estavam perdidos sobre qual era a fila de cada seção, completamente desorganizado. Eram emaranhados de filas pela escola", relata.
Em São Gonçalo, a falta de informação nas filas provocou um princípio de discussão entre eleitores e fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Jorge Vaz, de 38 anos, vota no CIEP 409 Alaide de Figueredo Santos, no bairro do Coelho, e conta que a longa espera aumentou a tensão entre os eleitores.
"Presenciei um princípio de discussão entre um fiscal e um eleitor. Não evoluiu para nada mais grave, mas era nítido que a longa espera e o calor contribuíram para um ambiente ruim na hora de votar. A gente sabe a importância desse momento para o país, mas ficar quase três horas na fila é um absurdo", desabafa.
O professor de biologia Julio Alves, de 29 anos, que antes votava no Méier, na Zona Norte, e mudou de local de votação após trocar de endereço, passou a votar no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. Segundo ele, as filas chegaram a dobrar o quarteirão.
"Ao chegar aqui, havia uma fila imensa, rodando o quarteirão, mas todos informavam que estavam chamando por seção. A minha é a seção que também é a da prioridade, PCD etc., então é a que mais demora", disse. No momento em que a reportagem entrou em contato com Julio, por volta das 15h30, ele ainda não havia conseguido votar.
"São 15h36 e eu não tenho nem ideia de que horas vou poder votar. Não havia fiscais; quem estava organizando a entrada era um policial militar. Os responsáveis pela zona estão extremamente rudes e grosseiros. Muita boca de urna acontecendo também", reclama.
A estudante de Direito, Jessica Machado, chegou no colégio eleitoral onde vota, em Bangu, na Zona Oeste, 10 minutos antes do portão abrir. Mesmo assim, demorou duas horas para votar. Ainda segundo ela, os mesários da sua seção eleitoral não entregaram o comprovante de votação. "Disseram para pegar pelo aplicativo o papelzinho, mas eu não achei online e eu tive que voltar lá e pedir o comprovante", diz.
Para esta eleição, cada eleitor deverá escolher seis candidatos nas urnas, nesta ordem: deputado federal; deputado estadual; senador para a primeira vaga; senador para a segunda vaga; governador e presidente da República. No caso do Senado, o candidato escolhido para a primeira vaga não pode ser repetido na segunda.
Devido à quantidade de votos que serão registrados nas urnas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientou os eleitores a levarem uma "colinha" com os números dos candidatos para facilitar o preenchimento dos votos.
Para esta eleição, cada eleitor deverá escolher seis candidatos nas urnas, nesta ordem: deputado federal; deputado estadual; senador para a primeira vaga; senador para a segunda vaga; governador e presidente da República. No caso do Senado, o candidato escolhido para a primeira vaga não pode ser repetido na segunda.
Devido à quantidade de votos que serão registrados nas urnas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientou os eleitores a levarem uma "colinha" com os números dos candidatos para facilitar o preenchimento dos votos.
Procurado, o TRE-RJ ainda não se pronunciou sobre as reclamações citadas nesta reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

