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Lula e Flávio Bolsonaro vão para o segundo turno

Candidato do PL recebeu 47,43% dos votos, contra 44,69% do petista quando urnas ainda não foram totalmente apuradas

Por Manuella Viégas

Publicado em 04/10/2026 21:02:00 Atualizado em 04/10/2026 21:37:32
Lula e Flávio Bolsonaro vão disputar o segundo turno em 25 de outubro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai disputar o segundo turno das Eleições 2026 contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado acirrado do primeiro turno, que aconteceu neste domingo (4), confirmou a polarização entre os candidatos e levou a decisão para uma nova votação, marcada para o dia 25 de outubro.
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Apesar das pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa na liderança, com 55.822.785 milhões de votos, o equivalente a 47,43%, com 99,17% das urnas apuradas, mas não conseguiu alcançar a maioria absoluta necessária para vencer já neste domingo. Lula recebeu 53.213.206 milhões de votos, 44,98%.

De acordo com o sistema eleitoral brasileiro, para ser eleito, não basta o candidato somente conseguir mais votos do que os concorrentes. Ele precisa ter mais da metade dos votos válidos (excluindo os realizados em branco e nulos), conforme o estabelecido na Constituição como o critério da "maioria absoluta".

Na prática, para vencer em um turno, o candidato precisa ter 50,1% dos votos válidos. Votos em branco e nulos não entram no cálculo para determinar se houve ou não a maioria absoluta, ou seja, o número total dos votos registrados ou o número de eleitores que compareceram as urnas não simbolizam a vitória.

A ida ao segundo turno coloca novamente Lula diretamente contra um representante da família Bolsonaro. Em 2022, o petista também seguiu para a disputa com Jair Bolsonaro (PL), que acabou derrotado e se tornou o único presidente do Brasil a não se reeleger.

A definição acontece depois de uma campanha marcada pela proximidade entre os dois principais candidatos nas pesquisas de intenção de voto. Na véspera da eleição, o Datafolha apontava Lula com 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 42% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) aparecia em terceiro, com 4%, seguido por Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), ambos com 3%.

O cenário projetado para a segunda etapa também indicava uma disputa apertada. Na pesquisa Datafolha divulgada no sábado (3), Lula aparecia com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 46%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, os dois estavam tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 4.006 pessoas.

No primeiro turno, Lula chegou à votação com vantagem nas pesquisas, enquanto Flávio cresceu na reta final.

Com o resultado deste domingo, a campanha eleitoral entra em uma nova fase. Lula e Flávio terão agora pouco mais de três semanas para tentar ampliar seus respectivos eleitorados e conquistar os votos dos candidatos que ficaram para trás. A disputa tende a concentrar as atenções principalmente nestes eleitores.

Plano de governo de Lula (PT)

Em seu plano de governo, Lula combina continuidade de programas sociais e econômicos do atual governo com novas propostas em trabalho, segurança, indústria, tecnologia, saúde, educação e meio ambiente, tendo como eixos a redução das desigualdades, o fortalecimento do Estado e a soberania nacional.

Entre as propostas estão a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o fim da escala 6x1 e a manutenção da política de valorização do salário mínimo. O programa também prevê ampliar o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além de utilizar imóveis e terrenos da União para projetos habitacionais e mais.

Plano de governo Flávio Bolsonaro (PL)

Em seu plano de governo, Flávio Bolsonaro concentra as propostas em segurança pública, redução do Estado, corte de impostos, educação, saúde, proteção social, trabalho, liberdade de expressão, equilíbrio fiscal e combate à corrupção.

O documento defende uma atuação mais enxuta do governo federal, com redução de ministérios e cargos comissionados, além de medidas para diminuir a dívida pública, rever a reforma tributária e retomar privatizações. Entre as propostas, estão a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas, redução de maioridade penal, reajuste da tabela do SUS, redução de impostos e mais.

Quem é Lula

Nascido em Garanhuns (PE), mudou-se ainda criança com a família para o litoral de São Paulo e, posteriormente, para a capital paulista. Aos 14 anos, começou a trabalhar em uma fábrica e, depois, formou-se como torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Lula iniciou sua atuação sindical no fim da década de 1960 e, em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Na década de 1970, ganhou projeção ao liderar greves de metalúrgicos no ABC paulista. Em 1980, participou da fundação do PT e, em 1983, da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Sua trajetória eleitoral começou em 1982, quando disputou o governo de São Paulo. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte. Candidatou-se à Presidência pela primeira vez em 1989 e voltou a disputar o cargo em 1994 e 1998, antes de ser eleito em 2002.

Lula governou o Brasil entre 2003 e 2010, após ser reeleito em 2006. Em 2022, voltou a disputar a Presidência e foi eleito para um terceiro mandato, iniciado em 2023.

Quem é Flávio Bolsonaro

Nascido em Resende (RJ), em 30 de abril de 1981, Flávio Nantes Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. É bacharel em Direito e possui especialização em políticas públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e em empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Flávio iniciou a carreira política em 2003, quando foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Foi reeleito para o cargo em 2006, 2010 e 2014, cumprindo quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Durante o período, sua atuação esteve especialmente ligada a temas como segurança pública, administração penitenciária e defesa civil.

Em 2016, concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC, mas não foi eleito. Dois anos depois, deixou a Alerj para disputar uma vaga no Senado. Foi eleito em 2018 com 31,3% dos votos válidos e assumiu o mandato em 2019. Desde então, permanece como senador pelo Rio de Janeiro, com mandato atual até 2027.

No Senado, Flávio integrou diferentes comissões e, em 2025, foi eleito presidente da Comissão de Segurança Pública.