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Carmelitas abre o Carnaval em Santa Teresa com críticas políticas: 'Azul ou rosa é tudo igual'

Cortejo reuniu fantasias críticas e irreverentes nas ruas de Santa Teresa, na Região Central do Rio

Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa -

Depois da dificuldade para conseguir desfilar, o bloco Carmelitas, que só recebeu autorização da PM nesta quinta-feira, levou milhares de foliões para pular Carnaval em tom de protesto político na tarde desta sexta-feira. Com o enredo "Azul ou rosa é tudo igual", em referência à declaração polêmica da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que disse que meninas vestem rosa e meninos vestem azul, o tradicional cortejo reuniu fantasias críticas e irreverentes nas ruas de Santa Teresa, na Região Central do Rio.

O servidor público Cesar Teixeira, 57 anos, e a boleira Vera Lúcia Soares da Silva, 55, da Tijuca, foram fantasiados de paciente terminal e enfermeira. Vestido de azul e rosa, ele carregava aparelho hospitalar de soro como se tivesse suco de laranja dentro, uma crítica aos escândalos de corrupção envolvendo o ex-chefe de Segurança de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. E segurava uma placa com a pergunta "Quanto VALE uma vida?", referindo-se às tragédias de Brumadinho e do Centro de Treinamento do Flamengo, em Vargem Grande.

Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

"A fantasia é do paciente que está aproveitando o Carnaval. Ele também fugiu do hospital como a carmelita (da lenda que inspirou o bloco) e este ano nós trazemos uma mensagem forte. Esse é o tradicional suco de laranja que Brasília está exportando para todos os estados do Brasil", comentou César.

A professora Tatiane Vieira, 32, saiu da Penha para vender sacolés no Carmelitas e para curtir o bloco. O anúncio dos sorvetes também era provocante: "Só não tem de laranja, 'taokey'?", forma como o presidente Jair Bolsonaro costuma dizer "Tá ok?". "Juntei o útil ao agradável. Nem preciso dizer que adoro o presidente, né?", ironizou.

A também professora Sofia Ulloa, 67, de Petrópolos, foi vestida a caráter, de carmelita, e deu sua contribuição crítica em uma mensagem em espanhol escrita na fantasia endereçada ao presidente norte-americano, Donald Trump. Em tradução para o português, lia-se: "Seu filho da... Não faça muro. Cuida dos seus filhos". Ela quis criticar a ideia de Trump de construir um muro para separar a fronteira dos Estados Unidos do México e banir a entrada da maior parte dos refugiados.

Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

"Diz a lenda que uma freira fugiu do convento no sábado e só voltou depois do Carnaval. Minha mãe também era carmelita", contou Sofia, que estava com o marido e a irmã.

O samba do Carmelitas em 2019 entoa: "Azul ou rosa é tudo igual. Canto de peito aberto, é Carnaval! Não vi ninguém na goiabeira (em ironia a outra declaração da ministra Damares, que afirmou ter visto Jesus em cima de um pé de goiabas). O amor eu encontrei nessa ladeira". As denúncias de corrupção na política são lembradas em outro trecho: "Se mandinga ajudar, vade retro opressor. A falsa honestidade foi pra conta do assessor. A gente vai voltar a ser feliz. É fato, não é fake! Menos ódio no país".

O Carmelitas desfila novamente na terça-feira de Carnaval, às 8h, saindo do Largo do Curvelo, em Santa Teresa.

O Carmelitas foi fundado em 1990 por moradores do bairro e relembra uma lenda urbana segundo a qual uma freira do Convento das Carmelitas fugiu da clausura para pular carnaval na Sexta-Feira e voltou apenas na terça-feira de carnaval. Por esse motivo, o bloco faz dois desfiles durante o carnaval, um, partindo do convento, e outro caminhando em direção a este.

Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

O desfile do Carmelitas era um dos que estavam ameaçados devido à falta de uma autorização, que, até quinta-feira, não havia sido emitida pela Polícia Militar (PM). A questão foi resolvida após reunião, também nesta quinta, entre representantes de duas das principais ligas dos blocos do Rio, a Sebastiana e a Amigos do Zé Pereira, a Riotur e comandantes dos batalhões da PM.

A situação do Carmelitas era a mesma de outros blocos famosos na cidade, como o Imprensa que Eu Gamo, o Suvaco do Cristo, o Céu na Terra e o Toca Rauul.

Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco /Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa Daniel Castelo Branco / Agência O Dia
Carnaval 2019 - Bloco Carmelitas - Foliões de divertem em um dos mais tradicionais blocos de Santa Teresa, Rio de Janeiro RJ. Foto: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia Daniel Castelo Branco